Lisboa, 28 de junho de 2026 (Lusa) — O presidente do Chega, André Ventura, lançou este domingo um forte aviso à coligação governamental (PSD e CDS-PP), sublinhando que qualquer alinhamento com o Partido Socialista na votação sobre a perda de nacionalidade trará "consequências" políticas imediatas, nomeadamente na discussão do Orçamento do Estado.
O líder partidário falava aos jornalistas na sede nacional do Chega, em Lisboa, após exercer o seu direito de voto nas eleições internas para a estrutura distrital da capital. Instado a comentar o discurso do líder do PS, José Luís Carneiro — que acusara a AD e o Chega de viverem um "namoro" político —, Ventura repudiou categoricamente a leitura do socialista e devolveu a acusação, argumentando que o PS tem funcionado como o verdadeiro suporte do Executivo de Luís Montenegro.
"O que é mais curioso de tudo é que ainda agora tivemos mais um exemplo durante a PSU [Prestação Social Única], não foi o Chega que fez nenhuma troca de máscaras com o PSD, foi o Partido Socialista", retorquiu André Ventura. O dirigente recordou que o Chega travou a revisão da legislação laboral e acusou os socialistas de terem viabilizado todos os anteriores Orçamentos do Estado da AD, rotulando as palavras de Carneiro como um mero desejo de protagonismo que o PS não consegue alcançar na oposição.
Embora o Orçamento do Estado esteja no horizonte político, André Ventura fez questão de frisar que o xadrez parlamentar enfrentará testes decisivos já nos próximos dias. O principal foco de tensão está agendado para a próxima sexta-feira, dia em que o Parlamento vai reapreciar o decreto que previa a cassação da nacionalidade como pena acessória no Código Penal, uma medida que foi recentemente chumbada pelo Tribunal Constitucional.
Para o líder do Chega, a postura que os partidos que sustentam o Governo adotarem nesta matéria será um indicador claro do rumo da legislatura. "Se o PSD e o CDS-PP também mudarem nisso, significa que se estão a aproximar mais do Partido Socialista do que daquilo que é a visão do Chega e isso obviamente tem consequências", ameaçou, traçando um retrato negro do país, que considera estar "mais violento" e com "menos segurança".
Ventura concluiu o seu esclarecimento reforçando que todas as cedências da AD ao PS serão pesadas na hora de votar o documento orçamental. Acusando os sociais-democratas de serem indistinguíveis dos socialistas, o presidente do partido deixou um recado claro às bancadas do Governo: "Como é que se pode pedir ao Chega que seja simplesmente suporte deste Governo? Eu acho que não é isso que os militantes querem (…). É muito difícil apoiar um Governo assim".