Lisboa, 26 de junho de 2026 (Lusa) — A comitiva portuguesa destacar-se-á hoje ao final da tarde a partir de Beja com destino à Venezuela para reforçar as operações de busca, salvamento e assistência médica na sequência dos sismos que devastaram o país sul-americano. A operação, que conta com 64 operacionais, será realizada a bordo de duas aeronaves militares, confirmou o Governo.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) informou em comunicado o acionamento oficial desta força conjunta nacional. A partida dos dois aviões KC-390 da Força Aérea Portuguesa está agendada a partir da Base Aérea N.º 11, em Beja, num horário indicativo situado entre as 19:30 e as 20:00.
Esta equipa multidisciplinar integra especialistas da Unidade Especial de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e do INEM. O contingente detém formação avançada no resgate de vítimas em cenários de catástrofe, estabilização de estruturas e cuidados médicos urgentes. Adicionalmente, as aeronaves transportam cerca de 23 toneladas de carga humanitária essencial.
A mobilização resultou de uma estreita articulação entre as pastas diplomática, da Defesa, Administração Interna e Saúde. Em declarações à Lusa, o segundo comandante nacional da ANEPC, José Ribeiro, destacou que os operacionais mobilizados possuem um historial vasto e "muita experiência" em sismos de grande magnitude. A missão foi projetada para uma duração inicial de dez dias, dispondo de dois dias suplementares de reserva.
A intervenção surge num momento crítico, estando já confirmada a morte de pelo menos nove cidadãos portugueses e lusodescendentes nos abalos registados na passada quarta-feira. Portugal junta-se assim a uma resposta solidária europeia que envolve outros sete Estados-membros da União Europeia.
Os dois violentos sismos sucessivos, que atingiram magnitudes de 7.2 e 7.5 na escala de Richter, deixaram atrás de si um rasto de destruição massiva, contabilizando-se já pelo menos 589 vítimas mortais e perto de três mil feridos. O cenário é particularmente grave na capital, Caracas, e em La Guaira, onde dezenas de infraestruturas habitacionais e edifícios públicos colapsaram por completo.