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Tavares rejeita afastamento do Livre e defende necessidade de novas “caras e vozes”
O fundador do partido deixa a liderança partilhada em julho para se focar na estratégia e formação de quadros, mantendo o assento de deputado no Parlamento.
Por Redação
Publicado em 26/06/2026 18:04
Nacional
@Lusa

Lisboa, 26 de junho de 2026 (Lusa) — O até agora co-porta-voz do Livre, Rui Tavares, garantiu hoje que a sua saída do cargo de liderança não representa um passo atrás ou um afastamento da primeira linha do partido. Numa entrevista à agência Lusa — a primeira desde que o seu afastamento foi anunciado —, o deputado explicou que a transição visa uma reestruturação interna útil para o futuro e para a consolidação de novos rostos na esquerda.

"Não significa um afastamento, significa uma redistribuição do jogo dentro da equipa e a assunção de funções e de responsabilidades que são novas, mas que não deixam de ser centrais", clarificou o historiador de 53 anos.

Após quatro anos a dividir a liderança da força política (primeiro com Teresa Mota e, atualmente, com Isabel Mendes Lopes), Rui Tavares vai formalizar a saída do cargo na 17.ª reunião magna do Livre, agendada para julho, em Sintra. O seu lugar na liderança partilhada será disputado por Jorge Pinto — deputado e candidato presidencial —, que se junta a Isabel Mendes Lopes numa candidatura conjunta à direção. Tavares integrará a lista ao Grupo de Contacto em terceiro lugar, assumindo a pasta da “estratégia, comunicação e formação”.

O deputado quis antecipar-se ao limite estatutário de três mandatos na direção, optando por pedir internamente uma transição que lhe permita focar-se no crescimento estrutural do Livre a longo prazo. Tavares enfatizou que o "campo progressista em Portugal" precisa de habituar o eleitorado a novas caras e discursos estáveis para contrariar a ascensão da direita radicalizada.

"Aquilo que o Livre pode e tem que fazer é a formation de lideranças e de protagonismos que permitam à esquerda crescer e que nos permitam derrotar a deriva para uma direita radicalizada", assumiu, traçando uma meta ambiciosa para os próximos "10 ou 20 anos".

Embora reconheça que a opinião pública ainda o associa à figura central e quase exclusiva do Livre, Rui Tavares fez questão de lembrar que tanto Isabel Mendes Lopes como Jorge Pinto são militantes fundadores com provas dadas no partido, inclusive nos momentos de maior crise, como o afastamento de Joacine Katar Moreira em 2020. O fundador teceu rasgados elogios à dedicação de Mendes Lopes e à "grande capacidade comunicacional" de Jorge Pinto.

A reestruturação traz ainda a novidade de uma divisão clara por pelouros na direção e a criação do cargo de secretário-geral, ao qual se candidata Tomás Cardoso Pereira. Desde que Rui Tavares garantiu o regresso do partido à Assembleia da República em 2022 como deputado único, o Livre tem registado um crescimento eleitoral sustentado, contando atualmente com uma bancada parlamentar de seis deputados.

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