Lisboa, 26 jun 2026 (Lusa) — O deputado Rui Tavares vai cessar as suas funções na liderança do Livre. O fundador e principal rosto do partido desde 2022 não se recandidatará ao cargo de porta-voz no congresso agendado para julho, abrindo espaço para uma candidatura conjunta de Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto, que se propõem a assumir a liderança bicéfala e rotativa da força política.
Apesar do afastamento da primeira linha, Rui Tavares manter-se-á como deputado na Assembleia da República e integrará a Lista A à direção (Grupo de Contacto), assumindo o pelouro interno da estratégia, formação e comunicação. A lista continuará a ser encabeçada por Isabel Mendes Lopes, atual líder parlamentar, surgindo o deputado e ex-candidato presidencial Jorge Pinto na segunda posição. A moção do projeto, intitulada “Ampliar o Livre contigo”, desenha ainda uma reestruturação operacional, prevendo a criação do cargo de secretário-geral, para o qual avança o deputado substituto Tomás Cardoso Pereira.
A nível estatutário e de fiscalização, o deputado Paulo Muacho lidera a lista ao Conselho de Jurisdição pela corrente maioritária, enfrentando a concorrência direta do advogado Ricardo Sá Fernandes, que encabeça uma lista alternativa para o mesmo órgão.
O Livre, que nas legislativas de 2025 registou o seu máximo histórico ao eleger seis deputados e fixar-se como a quinta força política no Parlamento, foca agora a sua estratégia em converter-se num partido com aspirações executivas. No manifesto político, a Lista A tece duras críticas ao atual Executivo de Luís Montenegro, acusando-o de fragilizar a promessa de isolamento ao Chega e de transformar a governação num alinhamento informal à direita com a Iniciativa Liberal e o partido de André Ventura.
O escrutínio interno, contudo, não será isento de oposição. À semelhança do congresso anterior, a direção em funções enfrentará duas correntes críticas. A Lista S, liderada por Rodrigo Brito, e a corrente "Livretária" (Lista V), encabeçada por Tiago Mota, disputam os assentos da direção através do método de Hondt. Ambas as listas contestam a excessiva concentração de poder no grupo parlamentar e na atual dupla de porta-vozes, com a Lista V a acusar ainda a liderança cessante de falta de transparência na gestão financeira das contas partidárias.
A clarificação das lideranças e do rumo estratégico do Livre ficará fechada durante o 17.º Congresso Nacional, que decorrerá em Sintra entre os dias 10 e 12 de julho.