MENU
Portugal faz parte da rota do tráfico marítimo de cocaína para a Europa
Novo relatório revela que o cerco nos grandes portos europeus desviou as redes criminosas para a costa portuguesa e espanhola, com recurso crescente a narcossubmersíveis.
Por Redação
Publicado em 26/06/2026 08:47
Nacional
@Lusa

Lisboa, 26 jun 2026 (Lusa) — As redes internacionais de narcotráfico reorganizaram as suas rotas marítimas em direção ao continente europeu, colocando Portugal no centro do mapa de entrada de cocaína. De acordo com o mais recente relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), os criminosos estão a recorrer cada vez mais a semi-submersíveis capazes de transportar cargas maciças que chegam às 10 toneladas.

O documento detalha que o aumento da vigilância e a cooperação policial nos portos que historicamente centralizavam estas apreensões — como Antuérpia, Roterdão e Hamburgo — forçaram os traficantes a desviar as suas atenções. Como consequência, os fluxos migraram para portos de menor dimensão e para as costas de países como Portugal, Espanha e França.

Uma das maiores preocupações da agência da ONU prende-se com a sofisticação tecnológica do contrabando transatlântico. Os cartéis estão agora a usar embarcações de fibra de vidro de perfil ultra-baixo para escapar aos radares. Fontes oficiais confirmaram um aumento substancial no avistamento e interceção destes dispositivos subaquáticos tanto ao largo do território continental como na região dos Açores, onde uma única operação recente culminou na apreensão de 6,5 toneladas de droga.

A nível global, a produção de cocaína atingiu máximos históricos em 2024, superando as 4.000 toneladas puras devido à otimização das plantações. Paralelamente, o consumo mundial de estupefacientes disparou 34% numa década, afetando cerca de 331 milhões de pessoas. Embora a canábis continue na liderança dos consumos, o mercado enfrenta também o desafio da proliferação de drogas sintéticas inovadoras, desenhadas especificamente para contornar os controlos alfandegários.

Comentários