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Encontrada estrutura ritual maia única com 2000 anos no norte da Guatemala
Edifício em forma de fechadura e com excelente estado de preservação revela detalhes inéditos sobre sacrifícios e a ascensão das primeiras dinastias daquela civilização.
Por Redação
Publicado em 23/06/2026 08:44
Cultura
@Lusa

Cidade da Guatemala, 23 jun 2026 (Lusa) — Uma equipa internacional de arqueólogos identificou uma estrutura cerimonial maia sem precedentes no sítio arqueológico de El Tigre, situado no norte da Guatemala. O achado promete lançar nova luz sobre os complexos rituais e a organização social daquela civilização antiga.

Durante uma conferência de imprensa realizada na segunda-feira, Julien Hiquet, que lidera o projeto arqueológico, sublinhou que o monumento apresenta particularidades muito raras, fundamentais para aprofundar o conhecimento sobre as dinâmicas espirituais em centros urbanos maias de dimensão intermédia.

Os vestígios remontam ao período Pré-Clássico Final (estimado entre os anos 100 a.C. e 150 d.C.). A campanha arqueológica que levou a este resultado decorreu entre 2025 e 2026, juntando especialistas provenientes da Guatemala, França, México e Canadá.

O "cogumelo" em forma de fechadura Batizado de "Okox" — termo que significa "cogumelo" no idioma nativo Q'eqchi' —, o edifício exibe uma planta em formato de fechadura. O que mais impressionou os cientistas foi o seu excecional nível de preservação, já que a estrutura não sofreu modificações ou sobreposições por parte de civilizações e construções posteriores, um fenómeno raro nesta região. De acordo com os peritos, a zona envolvente terá funcionado como um importante centro administrativo e residencial que albergou milhares de pessoas.

No decorrer dos trabalhos de escavação no aterro da plataforma, os arqueólogos depararam-se com túmulos de crianças colocados intencionalmente como oferendas rituais. Foram também descobertas as ossadas de um homem adulto que pertenceria à elite local; o corpo foi sepultado na posição sentada e trazia consigo um furador feito a partir de um espinho de raia, um instrumento tipicamente associado a rituais de autossacrifício de sangue.

Rossina Cazali, a vice-ministra guatemalteca do Património Cultural e Natural, fez questão de aplaudir o sucesso dos trabalhos, considerando o achado uma janela única para compreender um período crucial da evolução histórica maia. Antes de ser abandonada, a estrutura de Okox foi parcialmente desmantelada num ato simbólico pelos próprios habitantes, tornando-se agora num elemento de estudo indispensável para decifrar as hierarquias e as redes de poder que marcaram o início das dinastias maias.

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