Lisboa, 19 de junho de 2026 (Lusa) — O emblemático monumento lisboeta já acolheu mais de 15 mil pessoas no espaço de três semanas, marcando o regresso do público após uma profunda intervenção de conservação e restauro. Os dados desta forte adesão, contabilizados desde o dia 27 de maio, foram partilhados pela empresa pública Museus e Monumentos de Portugal (MMP), que enfatizou o papel central que este património mundial da UNESCO desempenha na identidade cultural de Lisboa.
A reabertura aconteceu depois de um interregno de cerca de um ano devido a trabalhos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), num orçamento que rondou o milhão de euros. Segundo a diretora do monumento, Margarida Donas Botto, a intervenção permitiu devolver à joia da arquitetura manuelina o seu "esplendor inicial". A limpeza minuciosa devolveu o brilho e a luz natural à pedra de lioz, naquela que representou a primeira grande reabilitação estrutural feita no espaço desde o final da década de 1990. Entre as melhorias contam-se o restauro das superfícies em pedra, a renovação das caixilharias e a atualização das redes elétricas e técnicas.
A par das melhorias visuais, a Torre de Belém estreou um modelo de funcionamento mais organizado, desenhado para proteger a estrutura e melhorar o conforto de quem a visita. Passou a vigorar um sistema de agendamento por turnos, que limita a entrada a 60 pessoas a cada trinta minutos, estipulando um teto diário de aproximadamente 900 visitantes. A medida visa acabar de vez com as extensas e desgastantes filas de espera no exterior, além de aliviar o fluxo de circulação nas zonas mais apertadas do monumento, como a célebre escadaria em caracol.
Margarida Donas Botto assumiu que esta contenção na capacidade diária é um passo necessário para garantir a segurança de todos e a preservação a longo prazo de uma atração que, habitualmente, recebia mais de 400 mil pessoas por ano. No horizonte está ainda a hipótese de abrir portas durante a noite para alargar a oferta cultural. Embora o público estrangeiro continue a ser a grande fatia do turismo local, a direção quer atrair mais público nacional, lembrando que os cidadãos residentes em Portugal podem usufruir do regime que dá direito a 52 entradas gratuitas por ano em museus e monumentos do Estado.