Lisboa, 17 jun 2026 (Lusa) — As manifestações culturais e artísticas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Portugal vão estar em destaque na próxima edição do Jardim de Verão, evento sediado nos espaços da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. A iniciativa, cujo cartaz foi divulgado esta quarta-feira pela organização, vai decorrer ao longo de três fins de semana consecutivos, entre os dias 27 de junho e 12 de julho. A programação deste ano resulta de uma curadoria conjunta, dividida entre o músico Dino D’Santiago, responsável pela vertente musical, e a dupla Alexandra Matos e Luís Almeida, encarregue do ciclo de debates e cinema.
Os múltiplos eventos agendados vão ocupar várias infraestruturas da fundação, distribuindo-se entre o Jardim, o Anfiteatro ao Ar Livre, o Grande Auditório e o Centro de Arte Moderna – nas áreas do Estúdio e do Engawa. No Grande Auditório, o público poderá assistir a propostas que cruzam a pop com o jazz, a soul e a bossa nova de Bokor, bem como à fusão de fado, eletrónica e poesia urbana de Rita Vian. O cartaz desse palco completa-se com o experimentalismo pop de Alex D’Alva, a nova vaga da música angolana representada por Toty Sa’Med, os históricos cabo-verdianos Os Tubarões — coletivo fundado em 1969 — e Nancy Vieira, uma das mais prestigiadas vozes de Cabo Verde.
No Anfiteatro ao Ar Livre, a programação aposta na diversidade de géneros contemporâneos. Estão confirmadas as atuações do projeto Bandua, que faz uma releitura eletrónica do cancioneiro tradicional português, e de Zubikilla, artista que cruza as raízes cabo-verdianas com a sonoridade do jazz. A este palco sobem ainda Libra, com uma proposta de R&B alternativo, soul experimental e hip hop de intervenção, e Soraia Ramos, conhecida por misturar kizomba, R&B e morna, tendo sido a primeira artista de expressão portuguesa a alcançar a capa da Apple Music no continente africano. O recinto ao ar livre acolherá também a energia de Melly, apontada como uma das grandes revelações da música brasileira atual, e os Fogo Fogo, que fundem afrobeat, dub e funaná, ficando responsáveis pelo concerto de encerramento do festival.
Paralelamente, a zona do Engawa servirá de palco para as atuações em formato DJ set de Indi Mateta, Umafricana e Berlok, além de acolher a estreia do artista Adison Fernando. A vertente cinematográfica do Jardim de Verão terá lugar no Estúdio do Centro de Arte Moderna, onde será projetada a antologia "Novas Narrativas de Caça". A exibição de cada um dos sete episódios será acompanhada por tertúlias públicas que contarão com a participação de cineastas, intérpretes e convidados especiais para debater as temáticas abordadas no ecrã. No dia de encerramento, o festival reserva ainda um momento especial: um encontro artístico inédito em palco que juntará o curador Dino D’Santiago aos veteranos Os Tubarões.