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Raimundo afirma que luta dos trabalhadores forçou Chega a fazer o que nunca desejou
Líder do PCP discursou em marcha em Lisboa para celebrar o chumbo da reforma laboral do Governo e acusou a direita de se contradizer devido à pressão das ruas.
Por Redação
Publicado em 23/06/2026 07:51
Nacional
@Lusa

Lisboa, 22 jun 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, defendeu hoje que a forte mobilização e contestação dos trabalhadores obrigou o Chega a recuar e a adotar uma postura contrária àquilo que vinha defendendo publicamente sobre a revisão da legislação laboral proposta pelo Executivo.

As declarações do líder comunista surgiram no encerramento de um desfile que percorreu o centro de Lisboa. Convocada pelo PCP, a iniciativa reuniu centenas de manifestantes com o intuito de celebrar a rejeição da proposta laboral do Governo na Assembleia da República, ocorrida na última sexta-feira.

De acordo com Raimundo, a oposição à estratégia do Ministério do Trabalho transformou-se numa das maiores vagas de contestação social recentes, o que acabou por isolar os partidos da coligação governamental (PSD e CDS-PP) e a restante ala direita do Parlamento, incluindo a Iniciativa Liberal e o Chega.

Críticas ao recuo da direita e avisos ao Executivo Visando diretamente o partido liderado por André Ventura, o secretário-geral do PCP sublinhou que a pressão popular foi tão expressiva que empurrou certos quadrantes políticos a tomar decisões indesejadas, levando-os a votar contra o diploma, apesar de as suas propostas de fundo estarem alinhadas com os interesses do grande patronato. Raimundo deixou claro que, perante eventuais novas tentativas de retirar direitos a quem trabalha, a resposta passará sempre pela união e organização popular.

O dirigente comunista reivindicou ainda o papel central do PCP no desfecho da votação parlamentar, destacando a capacidade do partido em alertar a população e mobilizar os trabalhadores. À margem da marcha, Raimundo enviou um recado direto a São Bento, avisando que, se o Executivo insistir em trazer o mesmo dossiê laboral de volta ao Parlamento, estará apenas a aprofundar a sua própria crise política e social.

A manifestação, que decorreu sob o lema da valorização dos salários, das reformas e do reforço dos serviços públicos, serviu também para os participantes exigirem a saída da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, cuja imagem consideram ter saído severamente fragilizada e sem credibilidade após a derrota parlamentar.

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