Lisboa, 22 jun 2026 (Lusa) — O coordenador nacional do Bloco de Esquerda (BE) atacou hoje duramente as ministras da Saúde, Ana Paula Martins, e do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, afirmando que ambas demonstraram não ter qualificações para exercer os cargos e exigindo a sua saída do Executivo.
À saída de um encontro com o Presidente da República, António José Seguro, no Palácio de Belém, José Manuel Pureza apontou o recente Congresso do PSD como o palco onde vários governantes expuseram as suas fragilidades técnicas e políticas.
O dirigente bloquista visou diretamente a ministra da Saúde pelas declarações proferidas na reunião do partido, onde associou a falta de médicos de família à população imigrante. Para Pureza, a governante perdeu o rumo e há muito que revela não estar à altura do cargo, acusando-a de fragilizar e desqualificar o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A atuação da ministra do Trabalho também mereceu duras críticas por parte do líder do BE, que considerou incompreensível a postura da governante após ver a sua proposta de alteração à legislação laboral ser rejeitada na Assembleia da República. Em causa esteve o anúncio feito por Palma Ramalho de que o Governo insistirá na alteração ao Código do Trabalho a curto prazo.
De acordo com José Manuel Pureza, a ministra sofreu uma derrota tripla — perante os sindicatos, a opinião pública e o Parlamento —, pelo que já não dispõe de condições políticas para continuar em funções, sugerindo que está na hora de a governante abandonar a pasta.
A audiência com o chefe de Estado tinha sido solicitada a 12 de junho pelo BE, com o objetivo de transmitir a inquietação do partido relativamente à proposta de revisão da Lei Fundamental apresentada pelo Chega, classificada pelos bloquistas como um atentado à ordem constitucional.