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Chumbo das alterações à lei laboral é "um aviso para o Governo", diz CGTP
Tiago Oliveira aplaudiu a decisão nas galerias do Parlamento e garante que os partidos votaram condicionados pela contestação que durava há 11 meses.
Por Redação
Publicado em 19/06/2026 14:44
Nacional
@Lusa

Lisboa, 19 de junho de 2026 (Lusa) — O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, manifestou uma enorme satisfação com a rejeição da proposta de revisão da legislação laboral no Parlamento. Para o líder sindical, o chumbo do documento representa uma clara vitória e prova que a contestação e a mobilização dos trabalhadores ao longo dos últimos 11 meses foram "determinantes" para ditar este desfecho.

Em declarações aos jornalistas nos passos perdidos da Assembleia da República, escassos minutos após o resultado da votação, o dirigente máximo da intersindical sublinhou que os partidos políticos acabaram por votar condicionados pela forte pressão social das ruas. Tiago Oliveira deixou ainda uma advertência severa ao Executivo de Luís Montenegro, afirmando que este resultado é um sinal inequívoco de que o país rejeita uma política económica desenhada à medida do patronato.

Nas palavras do líder da CGTP, o Governo insiste em legislar com uma visão puramente tecnocrática, olhando para Portugal "como uma folha de Excel" e ignorando a realidade social de quem trabalha. O secretário-geral defendeu que o chumbo parlamentar é a consequência direta e a derrota natural dessa estratégia política.

O ambiente no hemiciclo subiu de tom logo após a confirmação da rejeição do diploma, que contou com os votos contra da esquerda e do Chega. Das bancadas da oposição e das galerias públicas — onde se encontrava o próprio Tiago Oliveira, visivelmente emocionado — ecoou uma longa salva de palmas. A manifestação ruidosa nas galerias mereceu uma repreensão imediata do Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que lembrou que este tipo de comportamento não é regimentalmente permitido, lamentando o sucedido por "não ter sido um momento bom".

Apesar da comemoração deste desfecho, a CGTP assegurou que não vai desmobilizar. O sindicato apontou baterias para a Prestação Social Única (PSU), medida que se encontra em debate na especialidade na Comissão de Trabalho, classificando-a como uma das principais preocupações do momento. Tiago Oliveira prometeu que os trabalhadores vão manter-se firmes nas ações de luta para forçar uma mudança de rumo nas políticas sociais do país.

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