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Ventura avisa que Chega “não se vende, nem verga” após votar contra reforma laboral
Após negociações com Luís Montenegro, o partido juntou-se à esquerda no Parlamento para derrubar o diploma do Governo sobre a legislação do trabalho.
Por Redação
Publicado em 19/06/2026 14:32 • Atualizado 19/06/2026 16:55
Nacional
@Lusa

Lisboa, 19 de junho de 2026 (Lusa) — O presidente do Chega, André Ventura, garantiu esta sexta-feira que o seu partido "não se vende, nem verga". A afirmação surgiu momentos após a bancada do Chega se ter juntado aos partidos de esquerda no Parlamento para chumbar, na generalidade, a proposta de reforma laboral apresentada pelo Governo de Luís Montenegro.

Através de uma mensagem publicada na rede social X, Ventura deixou um aviso claro ao Executivo e às suas "muletas" políticas. "Ou aceitam proteger quem trabalha, ou aceitam corrigir a imoralidade da idade da reforma e das reformas milionárias, ou não contam connosco!", vincou o líder partidário, justificando assim o voto contra do Chega.

O desfecho da votação esteve envolto em enorme suspense até ao último segundo, marcado por intensas negociações de bastidores entre o PSD e o Chega. A tensão no hemiciclo era tal que a bancada parlamentar do Chega, liderada por Pedro Pinto, chegou a exigir a suspensão dos trabalhos durante trinta minutos para um período de reflexão antes de se iniciarem as votações. Ao longo do processo, André Ventura reuniu-se por duas vezes em São Bento com o Primeiro-Ministro, na tentativa de alcançar um entendimento.

A linha vermelha do Chega prendeu-se, fundamentalmente, com a exigência de um compromisso por escrito para a redução da idade da reforma. O caderno de encargos de Ventura incluía ainda a reposição de dias de férias, a proteção de mães em período de amamentação, a criação de licenças para avós cuidarem de netos e a valorização das carreiras com trabalho por turnos.

Apesar de Luís Montenegro ter mostrado abertura, no debate quinzenal de quarta-feira, para introduzir melhorias no documento na especialidade, o recuo na idade da reforma foi totalmente descartado pelo Primeiro-Ministro após um reparo face à Iniciativa Liberal. O diploma do Governo acabou por recolher apenas os votos favoráveis da coligação PSD/CDS-PP e da IL, esbarrando no voto contra do Chega, PS, Livre, PCP, Bloco de Esquerda, PAN e JPP.

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