A Assembleia da República interrompeu os seus trabalhos por trinta minutos esta sexta-feira, mesmo antes de se iniciar a votação na generalidade da nova reforma laboral proposta pelo Governo. A paragem foi solicitada pela bancada do Chega. O requerimento foi apresentado por Pedro Pinto, líder parlamentar do partido, no momento em que o presidente do Parlamento, José Pedro Aguiar-Branco, se preparava para dar início às votações regimentais.
A interrupção dos trabalhos até às 13h00 acabou por ser viabilizada com os votos a favor do PSD, CDS-PP e Chega, contando com a abstenção do PS, IL, PAN e JPP, e com a oposição convicta das bancadas do Livre, PCP e Bloco de Esquerda.
Esta paragem estratégica surge num ambiente de forte tensão política e negociações de bastidores. Segundo avançou o Observador, André Ventura terá enviado uma mensagem aos deputados do Chega, na noite de quinta-feira, admitindo que o desfecho das conversações com o Executivo ainda era incerto. De acordo com essa informação, apesar de o Governo ter acolhido várias propostas do partido, manteve-se irredutível em dossiês considerados essenciais, como a idade da reforma e as regras de outsourcing e despedimentos. O líder do Chega avisou a bancada de que as negociações iriam prolongar-se pela manhã de sexta-feira, garantindo que o partido se manteria firme nos seus valores caso o Governo recusasse ceder nestes pontos fraturantes.