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Sindicatos estimam em 60% a 85% a adesão à greve na saúde
Paralisação nacional afeta dezenas de hospitais em todo o país e deixa consultas sem serviços mínimos assegurados, com o encerramento total de vários blocos operatórios.
Por Redação
Publicado em 19/06/2026 11:15
Nacional
Foto:Direitos Reservados

Lisboa, 19 de junho de 2026 (Lusa) — Os primeiros dados recolhidos sobre o arranque da greve dos trabalhadores da saúde apontam para uma forte adesão global, que oscila entre os 60% e os 85%. De acordo com fontes sindicais, a paralisação nacional chegou a atingir os 100% em diversas unidades e serviços específicos ao longo das primeiras horas do dia.

Em declarações à Agência Lusa, Elisabete Gonçalves, representante da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (STFPSSRA), entidade que convocou o protesto, revelou que o impacto se faz sentir com diferentes intensidades consoante a geografia. Enquanto na região Norte os dados iniciais apontam para uma adesão entre os 60% e os 70%, os relatórios parciais na região Sul revelam valores substancialmente mais elevados, fixando-se entre os 80% e os 85%.

A dirigente sublinhou que, embora se registem muitos hospitais com o funcionamento totalmente paralisado a 100%, a generalidade das informações recebidas estabiliza-se na fasquia acima dos 80%.

Por sua vez, o dirigente sindical Tiago Acúrcio explicou que, na região de Coimbra, o turno da noite operou estritamente sob as diretrizes dos serviços mínimos no bloco operatório, na urgência, nas unidades de medicina intensiva, na esterilização e nas enfermarias de internamento.

Já durante o turno da manhã, cerca de 90% a 95% das equipas hospitalares em funções correspondiam apenas aos contingentes obrigatórios definidos pelo Tribunal Arbitral para assegurar a continuidade dos cuidados mínimos essenciais. No caso dos blocos operatórios, apenas uma sala de urgência permaneceu em atividade, enquanto as restantes salas ficaram inoperantes por não terem mínimos estipulados por lei. Nos internamentos, a situação replicou-se, estando garantidas as consultas apenas para os doentes que necessitam de tratamentos contínuos e em curso. As restantes consultas externas não dispõem de serviços mínimos salvaguardados.

A greve nacional abrange a totalidade dos profissionais do setor da Saúde e serve de plataforma para exigir a reabertura célere de processos negociais com o Ministério da tutela. Os trabalhadores reivindicam melhorias significativas nas condições de trabalho no quotidiano, a dignificação e valorização das respetivas carreiras e a contratação urgente de mais efetivos para fazer face às carências estruturais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

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