MENU
IA sugará 8% da eletricidade mundial em 2050 – OPEP
Relatório aponta para um crescimento de sete vezes na procura energética dos centros de dados, gerando uma pressão sem precedentes nas redes e impulsionando a aposta na energia nuclear.
Por Redação
Publicado em 18/06/2026 14:38
International
@Lusa

Viena, 18 de junho de 2026 (Lusa) — A expansão acelerada da Inteligência Artificial (IA) vai fazer disparar o consumo elétrico dos centros de dados, multiplicando-o por sete até meados do século. De acordo com as projeções divulgadas esta quinta-feira pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), este setor passará a abocanhar 8% de toda a procura energética global em 2050, consolidando-se como um dos maiores testes à estabilidade das redes de distribuição.

O relatório "Perspetivas Mundiais do Petróleo para 2050", apresentado na capital austríaca, quantifica este salto em termos absolutos: a IA e os supercomputadores vão exigir um acréscimo de 3.606 terawatts-hora (TWh) nas próximas décadas. Na prática, a pegada energética deste ecossistema tecnológico saltará dos 602 TWh registados em 2025 para uns expressivos 4.208 TWh em 2050, quadruplicando o seu peso proporcional face aos atuais 2% da procura mundial.

Este fenómeno será o grande catalisador de um aumento global de mais de 85% na necessidade de eletricidade em todo o planeta, que deverá ultrapassar a barreira dos 50.500 TWh. O cartel petrolífero nota que o pico de consumo já se faz sentir de forma severa nas economias mais industrializadas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a velocidade de expansão dos complexos de dados está a ultrapassar a capacidade de resposta das infraestruturas públicas, forçando gigantes tecnológicas a desenhar planos para edificar centrais elétricas privadas e independentes.

O grande entrave reside no perfil de consumo da IA, que obriga a um abastecimento contínuo, estável e livre de falhas — uma exigência que as fontes renováveis convencionais, dada a sua dependência do vento e do sol, nem sempre conseguem assegurar. Perante este impasse, a OPEP destaca a corrida das multinacionais como a Google, Microsoft, Amazon e Meta rumo à energia nuclear. O setor tecnológico está a liderar investimentos no fornecimento de eletricidade através de centrais atómicas, com especial foco no desenvolvimento de pequenos reatores modulares de nova geração.

Comentários