Bruxelas, 18 de junho de 2026 (Lusa) — O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, admitiu esta quinta-feira que não consegue assegurar que os Estados Unidos consigam disponibilizar a totalidade dos recursos militares prometidos à Aliança Atlântica em cenário de guerra. Em causa está a necessidade de Washington gerir e dar resposta a múltiplos palcos de conflito em simultâneo pelo mundo.
"Se rebentar uma guerra, é claro que todos os aliados, incluindo os Estados Unidos, farão tudo o que estiver ao seu alcance. Não digo que possam cumprir tudo o que prometeram no âmbito do modelo de forças da NATO, mas darão o máximo", salvaguardou Rutte à chegada a uma cimeira de ministros da Defesa em Bruxelas, mostrando-se, ainda assim, confiante na capacidade de vitória da organização.
Este ajuste por parte da administração norte-americana tem efeito imediato e visa evitar uma dispersão excessiva das suas forças. Rutte desvalorizou o impacto alarmista da medida, sublinhando que se trata de uma estratégia de planeamento e que o contingente dos EUA continua a ser "considerável". Além disso, o líder da NATO assegurou que as potências europeias já estão a trabalhar para preencher essa lacuna operacional.
Em resposta a este cenário, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou um investimento histórico de 1,5 biliões de dólares (cerca de 1,32 biliões de euros) no orçamento de Defesa para 2027, um montante que servirá para criar um "arsenal da liberdade" e que acabará por reforçar indiretamente a NATO. Hegseth aproveitou para saudar o esforço dos países europeus no regresso a uma aliança militar mais firme e convencional, sob a liderança de Rutte rumo à chamada "NATO 3.0".
A reunião ministerial desta quinta-feira servirá também para preparar o terreno para a cimeira de Ancara, agendada para julho, onde os aliados vão discutir o aumento do investimento na Defesa para 5% do PIB até 2035 e o contínuo apoio à Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, marcará presença no encontro do grupo de contacto para debater o fornecimento de novos sistemas de defesa aérea através da iniciativa conjunta PURL.