Bruxelas, 17 jun 2026 (Lusa) — A taxa de inflação anual na zona euro registou uma nova aceleração no mês de maio, fixando-se nos 3,2%. Trata-se do quarto mês seguido de agravamento neste indicador económico, uma tendência agora validada e confirmada pelo Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia, que apontou ainda uma subida para os 3,3% no conjunto dos países que integram o bloco comunitário (UE). A evolução dos preços na região do euro mostra um salto considerável quando comparada com o registo de maio de 2025, altura em que a inflação se fixava nos 1,9%, e uma progressão face aos 3,0% reportados em abril deste ano. O panorama é em tudo semelhante no universo global da UE, onde o indicador escalou a partir dos 2,2% verificados no período homólogo e dos 3,2% apurados no mês anterior.
A análise detalhada do Eurostat mostra que foram os serviços e o setor energético que mais pesaram no bolso dos consumidores da zona euro no decorrer do mês de maio. Os serviços lideraram as pressões inflacionistas com um contributo positivo de 1,61 pontos percentuais (p.p.), logo seguidos pela fatura da energia (0,98 p.p.). O grupo dos produtos alimentares, álcool e tabaco (0,36 p.p.) e os bens de cariz industrial não energéticos (0,23 p.p.) também ajudaram a empurrar a taxa global para cima. Em comparação direta com o mês de abril de 2026, o comportamento da inflação anual dividiu o mapa europeu, diminuindo em onze Estados-membros e aumentando em dezasseis.
O comportamento da inflação — avaliado através do Índice Harmonizado dos Preços no Consumidor (IHPC) — voltou a revelar realidades muito distintas no continente europeu. As taxas anuais mais baixas foram registadas na Suécia (1,1%), na Dinamarca e na República Checa (ambas com 1,8%). No extremo oposto, as taxas de inflação mais elevadas observaram-se na Roménia (9,7%), na Bulgária (6,3%) e na Lituânia (5,1%).
No que diz respeito a Portugal, a taxa de inflação calculada pelo indicador harmonizado fixou-se nos 3,1% em maio. Este número traduz um agravamento expressivo quando comparado com os 1,7% registados no mesmo mês do ano passado. Apesar de tudo, o mercado nacional acabou por dar sinais de um ligeiro alívio face ao mês anterior, verificando-se uma desaceleração face aos 3,3% que tinham sido contabilizados em abril.