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Produção global de peixe atinge máximo de 235 milhões de toneladas – FAO
Relatório bienal da FAO destaca o papel crucial dos alimentos aquáticos face ao crescimento demográfico, mas alerta para o declínio da sustentabilidade biológica e para as desigualdades no acesso.
Por Redação
Publicado em 16/06/2026 16:22
Economia
@Lusa

Nairobi, 16 jun 2026 (Lusa) – A produção global da pesca e da aquicultura alcançou um teto histórico em 2024, ultrapassando a fasquia das 235 milhões de toneladas. Os dados foram avançados esta terça-feira pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) através do relatório “O Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura” (SOFIA), apresentado publicamente na cidade de Mombasa, no Quénia, no decurso da conferência “Nosso Oceano”.

A agência internacional frisou que o novo recorde atesta a relevância crescente que o setor assume para assegurar o abastecimento alimentar de uma população mundial em constante expansão. Todavia, o documento bienal deixa um aviso claro: embora os volumes de produção deem sinais de robustez, o grande desafio da atualidade reside em garantir que este desenvolvimento se processe de forma sustentável e com uma distribuição equitativa.

O organismo manifestou particular apreensão com a saúde das reservas de peixe em ambiente marinho. Em 2023, a proporção de populações de peixes capturadas dentro de parâmetros biologicamente sustentáveis recuou para os 62,4% — o que representa uma quebra de 2,1% face aos valores auditados em 2021. De acordo com a FAO, esta contração foi motivada por ajustamentos nos métodos de avaliação e pelo decréscimo da sustentabilidade em determinadas zonas geográficas.

O relatório põe também em evidência que o incremento na produção não se traduziu num acesso justo aos recursos. No continente africano, por exemplo, a disponibilidade de pescado per capita permanece muito aquém da média global, isto apesar de os alimentos de origem aquática constituírem a via mais barata e viável para o acesso a proteínas de alto valor nutricional em países com menores rendimentos. No total, o setor primário desta indústria garante emprego a cerca de 65 milhões de pessoas, assumindo um papel vital na subsistência das comunidades costeiras e rurais.

A aquicultura fixou-se como o verdadeiro motor do crescimento do setor, sendo responsável por 142 milhões de toneladas em 2024. Deste volume, a Ásia concentra uma fatia de 89%, enquanto a África mantém uma expressão reduzida, não obstante o seu elevado potencial por explorar. No que toca às águas continentais, o topo dos produtores mundiais é ocupado pela China, Índia, Bangladesh, Mianmar e Uganda, nações que agregam 51% da produção global de animais aquáticos. O dinamismo do setor reflete-se ainda no plano comercial: em 2024, o negócio das espécies de água doce gerou cerca de 160.000 milhões de euros.

Olhando para o futuro, as projeções da FAO apontam que a aquicultura continuará a liderar a expansão, estimando-se que o volume global de animais aquáticos atinja as 214 milhões de toneladas em 2034. A disponibilidade média mundial por habitante deverá subir ligeiramente para os 21,9 quilogramas, face aos atuais 21 quilogramas. Contudo, em termos de ritmos de crescimento locais na disponibilidade destes alimentos de origem animal, prevê-se que a maior aceleração venha a registar-se em África, com uma subida estimada em 18% por via da produção interna e do reforço das importações.

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