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Morreram 57 pessoas afogadas nos primeiros cinco meses deste ano
Dados da Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores indicam 36 vítimas mortais até março, a esmagadora maioria em locais sem vigilância.
Por Redação
Publicado em 16/06/2026 08:34 • Atualizado 16/06/2026 10:40
Nacional
@Lusa

Lisboa, 16 jun 2026 (Lusa) — Os números da mortalidade por afogamento em Portugal revelam uma tendência de crescimento alarmante nos primeiros meses deste ano. De acordo com o relatório do Observatório do Afogamento, desenvolvido pela Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (Fepons), entre 1 de janeiro e 31 de março registaram-se 36 óbitos em ambientes aquáticos. O indicador representa uma subida de 28,6% face ao mesmo período do ano passado e fixa o valor mais alto desde que esta base de dados histórica começou a ser compilada, em 2017.

Apesar de o relatório se focar no primeiro trimestre, a Fepons avançou também com dados provisórios atualizados até ao dia 31 de maio, contabilizando já um total de 57 mortes por afogamento no país. Esta fasquia é muito próxima das 58 vítimas identificadas no período homólogo de 2024, ano que detém o pior registo do histórico da federação. Perante este cenário, a organização anunciou que irá solicitar audiências com membros do Governo com o intuito de apresentar soluções práticas que ajudem a mitigar os acidentes no meio aquático.

A análise detalhada às ocorrências dos primeiros três meses do ano revela que as águas interiores concentram o maior perigo. Os rios foram o local de mais de 47% das mortes (17 vítimas), seguindo-se o mar com sete registos (19,4%). Foram ainda sinalizados óbitos em vias rodoviárias inundadas (11,1%), poços e barragens (8,3% cada), bem como em piscinas particulares e portos de abrigo (2,8% cada).

Um dos dados mais categóricos partilhados pela Fepons prende-se com a segurança: a totalidade das mortes (100%) deu-se em espaços que não dispunham de qualquer assistência ou vigilância de nadadores-salvadores. No perfil das vítimas, destaca-se o sexo masculino, que representa 69,4% dos falecimentos, com a faixa etária predominante a situar-se entre os 20 e os 24 anos. Geograficamente, o distrito de Coimbra liderou a sinistralidade com 13,9% dos casos, seguido de Braga e da ilha da Madeira, ambos com 11,1% das ocorrências.

Para a federação, o panorama atual demonstra que os afogamentos são um problemão de segurança pública, carecendo de uma estratégia nacional focada no planeamento e na educação para o risco. Entre as reivindicações da Fepons constam a revisão da lei de assistência a banhistas, a criação de incentivos para mitigar a falta de nadadores-salvadores que afeta o arranque de todas as épocas balneares e a aposta em sistemas de avaliação de risco em águas interiores.

A atual época balnear arrancou oficialmente a 15 de abril na praia de Porto Moniz, na Madeira, e estender-se-á até ao dia 31 de outubro, cobrindo um total de 673 águas balneares referenciadas em todo o território nacional.

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