Lisboa, 07 jun 2026 (Lusa) — No dia em que se assinala o Dia Mundial da Segurança Alimentar, instituído pelas Nações Unidas e pela Organização Mundial da Saúde, a associação ambientalista Zero lançou um forte apelo público para desmistificar a qualidade dos alimentos doados. Em comunicado, a organização sublinha que os excedentes alimentares encaminhados para doação são totalmente seguros para consumo, desde que cumpram as regras e orientações legais já em vigor.
A doação assume um papel cada vez mais urgente e estratégico, numa altura em que o volume de comida deitada ao lixo atinge proporções alarmantes. Para a Zero, combater o preconceito de que os produtos doados têm menor segurança ou qualidade é um passo essencial para canalizar recursos para quem mais precisa. "A legislação estabelece critérios rigorosos para garantir que apenas alimentos seguros entram nos circuitos de doação", vincou a associação, deitando por terra as habituais reticências dos consumidores e operadores.
Para ilustrar a dimensão do problema, a organização não-governamental recuperou dados alarmantes: só no ano de 2023, Portugal desperdiçou cerca de 1,93 milhões de toneladas de alimentos. Uma quantidade que, segundo as contas da associação, seria suficiente para garantir a alimentação de mais de um milhão de pessoas.
Este número ganha um peso ainda mais dramático quando contrastado com a realidade social do país. O volume total de comida que acaba no lixo em território nacional equivale a mais do dobro do número de cidadãos que se encontram atualmente em situação de insegurança alimentar em Portugal.
Fundada em 2015, a Zero — Associação Sistema Terrestre Sustentável tem focado a sua atuação na exigência de novas políticas públicas e em mudanças estruturais na sociedade, procurando transformar a sustentabilidade e a economia circular numa norma quotidiana. Com este alerta, a ONG reforça que a doação legal e regulada é uma das ferramentas mais eficazes para atingir esse equilíbrio, atacando em simultâneo a crise ambiental do desperdício e o flagelo social da fome.