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Nuno Melo rejeita exército europeu e avisa que Defesa não é eficaz sem os EUA
Numa postura convictamente atlantista, o ministro da Defesa Nacional desvalorizou as pressões de Donald Trump e reafirmou a NATO como o pilar insubstituível da segurança europeia.
Por Redação
Publicado em 07/06/2026 09:58
Nacional
@Lusa

Lisboa, 07 jun 2026 (Lusa) — O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, reiterou este domingo a sua firme oposição à constituição de um exército europeu e defendeu que a estabilidade do continente depende da manutenção da NATO como o principal eixo defensivo, vincando que a segurança da Europa perde eficácia sem o envolvimento dos Estados Unidos da América.

Em entrevista concedida conjuntamente ao Jornal de Notícias e à rádio TSF, o governante português enalteceu o papel histórico da Aliança Atlântica, lembrando que a organização tem cumprido com distinção o seu propósito de dissuasão militar. Para Nuno Melo, o sucesso desta estratégia reside precisamente na sua matriz transatlântica, "juntando um lado e o outro do Atlântico, com os Estados Unidos da América na equação".

O responsável pela pasta da Defesa aproveitou ainda para desdramatizar o clima de crispação que tem marcado as relações entre os Aliados europeus e a Casa Branca, motivado pelas repetidas ameaças de abandono proferidas pelo Presidente norte-americano Donald Trump. Nuno Melo desvalorizou a atual conjuntura ao sublinhar que não confunde "a administração de um país com esse país e o seu povo", lembrando que os governos são meramente "transitórios".

Esta rejeição do modelo de uma força militar unificada da União Europeia não é nova no discurso de Melo, que recordou tratar-se de uma convicção antiga que já defendia nos seus tempos de eurodeputado. O ministro argumentou que o caminho correto não passa pela criação de um exército supranacional, mas sim pelo reforço do investimento nas forças armadas de cada país e na modernização dos seus equipamentos, de modo a robustecer o pilar europeu integrado na NATO.

A visão atlantista de Portugal contrapõe-se diretamente à tese do governo de Espanha, que tem insistido na necessidade imediata de dotar a União Europeia de um exército próprio para assegurar a autonomia do bloco face às flutuações políticas de Washington. Contudo, a posição do executivo português está em linha com a da própria Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, que já classificou o projeto de um exército comum como ilusório, priorizando antes a capacitação das forças de cada Estado-membro.

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