Lisboa, 06 jun 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, acusou este sábado o Executivo de Luís Montenegro de marcar a discussão parlamentar da reforma laboral "à má fila". Para o líder comunista, o agendamento do debate para o próximo dia 18 de junho demonstra que o Governo está "com receio e apressado", garantindo que o partido se manterá vigilante contra eventuais "manobras e golpadas" no plano institucional.
Durante uma visita à Feira do Livro de Lisboa, Raimundo deixou um aviso direto ao Executivo, aconselhando-o a não confundir "uma maioria institucional pontual com a maioria social", sob pena de a contestação social lhe "rebentar nas mãos". O líder do PCP sublinhou que a verdadeira oposição ao pacote laboral será feita através da "continuação da luta dos trabalhadores" e aproveitou para desvalorizar o posicionamento do Chega nesta matéria, ironizando que a firmeza do partido de André Ventura "é tão firme como um pacote de manteiga ao calor".
O líder comunista aproveitou ainda a ocasião para responder às críticas de Mariana Leitão. A líder parlamentar da Iniciativa Liberal (IL) tinha associado o PCP e a CGTP aos desacatos registados no final da manifestação da greve geral, mas Paulo Raimundo rejeitou categoricamente qualquer ligação, afirmando que os incidentes não tiveram "nenhuma relação" com as estruturas sindicais ou com o partido. O secretário-geral acrescentou que a retórica "anticomunista" da IL acaba por ter um efeito inverso, servindo de incentivo à sindicalização e à aproximação de novos militantes ao PCP.
Sobre as recentes medidas do Governo, Raimundo revelou desconfiança face à proposta de criação da Prestação Social Única, exigindo um debate profundo para evitar que se dê um "cheque em branco" ao Executivo. O líder do PCP acusou ainda o Executivo de demagogia e de "fechar os olhos" à grande fraude financeira e aos paraísos fiscais.
Por fim, o secretário-geral comunista comentou a promulgação do diploma que regula a contratação de médicos tarefeiros nos hospitais públicos, considerando-o insuficiente e apelando a um investimento sério na fixação de profissionais de saúde para travar o "desmantelamento" do Serviço Nacional de Saúde (SNS).