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Candidato de esquerda às presidenciais da Colômbia acusa rival de comprar votos
Iván Cepeda garante ter provas de fraude contra o candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella e aciona a justiça a poucas semanas da segunda volta.
Por Redação
Publicado em 07/06/2026 10:35
International
@Lusa

Bogotá, 07 jun 2026 (Lusa) — A corrida presidencial na Colômbia subiu de tom este sábado, com o candidato de esquerda, Iván Cepeda, a acusar formalmente o seu adversário de extrema-direita, Abelardo de la Espriella, de fraude eleitoral. Cepeda, que conta com o apoio do atual governo, garante ter em seu poder provas robustas de irregularidades financeiras e de compra de votos levadas a cabo pela candidatura rival durante a primeira volta do escrutínio.

"Temos fundamentos suficientes para prosseguir uma investigação rigorosa que culminará em acusações criminais", garantiu Cepeda durante um comício em Cali, no sudoeste do país. O político confiou ao reputado advogado e ativista dos direitos humanos Miguel Ángel del Río a missão de avançar com os processos nos tribunais. Adicionalmente, o candidato de esquerda pediu uma investigação à existência de uma "campanha suja" digital contra si, alegando a utilização manipuladora de ferramentas de inteligência artificial.

As acusações surgem num momento de extrema sensibilidade política, após a primeira volta de 31 de maio ter ditado uma vantagem curta para Abelardo de la Espriella. O candidato de extrema-direita obteve 43,74% dos sufrágios (10,3 milhões de votos), seguido de perto por Cepeda, que fixou os 40,90% (9,7 milhões de votos). A decisão final está agendada para o próximo dia 21 de junho.

De la Espriella, um empresário milionário conhecido pela alcunha "O Tigre", construiu parte do seu mediatismo como advogado de defesa de antigos paramilitares associados ao narcotráfico em território colombiano — o maior produtor de cocaína do mundo. A sua linha política dura tem captado fortes apoios na cena internacional, com destaque para o endosso público do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O candidato da direita radical tem exibido com orgulho o seu músculo diplomático nas redes sociais. Num vídeo recente publicado na rede social X, De la Espriella surge em conversas fraternas com vários líderes regionais. Os presidentes das Honduras, Nasry Asfura, e do Paraguai, Santiago Peña, juntaram-se este fim de semana aos chefes de Estado da Argentina, Javier Milei, e do Equador, Daniel Noboa, no apoio explícito ao empresário.

"A questão da segurança e da defesa é uma prioridade para mim. Só podemos combater o crime organizado com governos organizados", defendeu o presidente paraguaio Santiago Peña na conversa com De la Espriella, que já prometeu estreitar a cooperação militar na região caso vença as eleições.

Estas presidenciais assumem um caráter histórico e de viragem para a Colômbia, uma vez que o atual Presidente, Gustavo Petro — que em 2022 se tornou o primeiro líder de esquerda a governar o país —, está impedido por lei de se recandidatar a um segundo mandato consecutivo.

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