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Quase 13 milhões de chineses enfrentam exame de acesso ao ensino superior
Conhecido como ‘gaokao’, o temido teste nacional paralisa as famílias e dita o futuro das carreiras, sob a sombra do desemprego jovem no país.
Por Redação
Publicado em 07/06/2026 10:23
International
@Lusa

Pequim, 07 jun 2026 (Lusa) — Cerca de 12,9 milhões de estudantes chineses começaram a realizar hoje o gaokao, o ultra-competitivo e temido exame nacional de acesso ao ensino superior. De acordo com os dados avançados pelo Ministério da Educação da China, a prova, que se estende ao longo de vários dias, avalia os conhecimentos dos jovens em disciplinas centrais como mandarim, matemática, inglês, ciências e humanidades.

Considerado um dos momentos decisivos na vida de qualquer cidadão chinês, o desempenho neste exame dita não só a entrada nas universidades de elite, mas estabelece também as fundações para o sucesso nas carreiras profissionais. Os resultados finais serão conhecidos no final de junho.

O arranque das provas transformou o cenário em redor das escolas. À porta de um centro de exames na capital, Pequim, foi montado um forte dispositivo de segurança, com dezenas de polícias a garantir a ordem pública. Do lado de fora das barreiras, famílias ansiosas acumulavam-se para captar os últimos momentos dos filhos antes de entrarem nas salas.

Para atrair a fortuna, muitos pais optaram por vestir roupas vermelhas, a cor da sorte e da prosperidade na cultura chinesa. Entre os estudantes, o ambiente misturava tensão e foco. "Estou um pouco ansioso, mas domino as coisas que precisava de saber", partilhou Zhang Xinnan, de 18 anos, minutos antes de enfrentar o primeiro teste.

Embora o ensino superior na China tenha registado uma enorme expansão nas últimas décadas — impulsionado pelo crescimento económico e pela exigência parental —, o atual cenário macroeconómico lançou novos desafios sobre os candidatos. O mercado de trabalho já não garante o futuro estável de outrora, e a taxa de desemprego entre os jovens tornou-se uma das principais inquietações do país. Estima-se que cerca de um em cada seis chineses com idades compreendidas entre os 16 e os 24 anos (excluindo os que ainda estudam) esteja desempregado.

Esta nova realidade económica, combinada com uma crescente consciencialização sobre o bem-estar psicológico, está a transformar de forma gradual a atitude de algumas famílias face à mística implacável do gaokao.

A pressão extrema para obter notas perfeitas a qualquer custo começa a dar lugar a uma postura mais equilibrada. "Sou bastante liberal", desabafou Deng Ju, de 53 anos, enquanto segurava os cadernos de estudo da filha. "Estou mais preocupada com a saúde física; o exame é apenas uma formalidade", concluiu, sinalizando uma quebra na tradicional obsessão pelos resultados académicos a todo o custo.

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