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Morreu a bailarina e atriz portuguesa Lily Neves aos 94 anos
Figura incontornável das artes cénicas, a encenadora que atravessou gerações — desde o teleteatro dos anos 50 até à recente série "Matilha" — partiu em Lisboa.
Por Redação
Publicado em 06/06/2026 19:06
Cultura
Foto:Orlando Barria

Porto, 06 jun 2026 (Lusa) — Lily Neves, uma das figuras mais completas e pioneiras do panorama artístico português, faleceu na passada sexta-feira de manhã, em Lisboa, aos 94 anos. A confirmação da morte da bailarina, atriz e encenadora foi avançada este sábado pela Academia Portuguesa de Cinema e pela Apoiarte - Casa do Artista através das redes sociais.

Nascida a 18 de fevereiro de 1932 em Molelos, no concelho de Tondela, Lily Neves construiu um percurso de exceção moldado no Conservatório Nacional, onde se diplomou tanto em bailado como em representação. Deu os primeiros passos na dança no Círculo de Iniciação Coreográfica, sob a tutela de Margarida de Abreu, e estreou-se nos palcos do teatro em 1948, quando era ainda estudante.

Ao longo da sua vasta carreira, inscreveu o seu nome na história de palcos emblemáticos como o Teatro Estúdio do Salitre, o Teatro Apolo — onde integrou a icónica peça "Um Chapéu de Palha de Itália", encenada por António Pedro — e o Teatro Nacional D. Maria II.

Foi também um dos rostos fundadores da ficção televisiva em Portugal. A sua presença na RTP remonta aos primórdios das transmissões do teleteatro e de séries que marcaram a caixa que mudou o país, destacando-se em produções como "O Tio Simplício" (1958), realizada por Artur Ramos, "O Grande Industrial" (1959) e a produção "A TV Através dos Tempos" (1965).

Demonstrando uma longevidade artística invulgar, Lily Neves manteve-se ativa e ligada à representação até muito perto do fim da sua vida. Exemplo disso foi a sua participação, já em 2024, na aclamada série de ficção "Matilha", realizada por João Maia para a RTP, provando que o seu talento e carisma continuavam a dialogar com as novas gerações de realizadores e espectadores.

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