As forças armadas de Israel anunciaram esta terça-feira o afastamento definitivo da antiga procuradora-geral militar, Yifat Tomer-Yeroushalmi. De acordo com as informações avançadas pela agência Lusa, a decisão do chefe do Estado-Maior implica a perda dos direitos de reforma da ex-responsável, que enfrenta ainda um processo criminal e a possibilidade de despromoção devido à fuga de informação que expôs abusos contra um detido palestiniano.
A tomada de posição foi publicamente saudada pelo ministro da Defesa israelita, Israel Katz, que defendeu que "qualquer pessoa que difame" os soldados não tem lugar na instituição militar. O caso remonta a 2024, quando a divulgação de um vídeo gravado no centro de detenção de Sde Teiman, no sul de Israel, desencadeou um forte escândalo ao mostrar cinco militares a infligir agressões físicas e sexuais graves a um prisioneiro oriundo da Faixa de Gaza.
A antiga procuradora-geral militar já se encontrava suspensa das suas funções desde outubro de 2025, na sequência de um inquérito conduzido pela procuradora-geral de Israel, Gali Baharav-Miara, focado na fuga das imagens para os meios de comunicação social. Tomer-Yeroushalmi acabaria por apresentar a demissão após assumir a autoria da partilha do vídeo, justificando o ato como uma tentativa de combater a desinformação e demonstrar que o exército estava a agir contra os suspeitos.
As detenções originais dos cinco militares acusados provocaram, na altura, uma onda de indignação e protestos violentos por parte de setores conservadores e de membros da coligação governamental de direita, que chegaram a tentar invadir as instalações onde os suspeitos estavam retidos. Posteriormente, o sucessor no cargo de procurador-geral militar, Itay Offir, acabou por arquivar as acusações contra os soldados, alegando dificuldades em reunir provas robustas.
A imagem pública do processo judicial em curso indica um forte impacto pessoal em Yifat Tomer-Yeroushalmi, que chegou a cumprir um período de prisão domiciliária. O caso volta a colocar sob escrutínio o tratamento de detidos palestinianos pelas autoridades israelitas, um tema recorrentemente sinalizado por organizações internacionais de direitos humanos.
Estes desenvolvimentos ocorrem num cenário regional que se mantém sob um cessar-fogo frágil, em vigor desde 10 de outubro do ano passado, após a ofensiva em grande escala lançada por Israel na sequência dos ataques liderados pelo Hamas a 7 de outubro de 2023.