BRUXELAS – A Comissão Europeia rejeitou, esta quinta-feira, as alegações de que as longas filas de espera nos aeroportos nacionais se devam ao sistema de entrada/saída (EES) da União Europeia. Em resposta enviada à agência Lusa, o executivo comunitário sublinha que o processamento dos registos biométricos demora, em média, pouco mais de um minuto, defendendo que os atrasos observados em Portugal têm outras origens.
"Os desafios enfrentados em Portugal, incluindo tempos de espera mais longos, não estão relacionados com quaisquer problemas no funcionamento do sistema de entrada/saída", assegurou fonte oficial da instituição, garantindo estar em contacto permanente com as autoridades portuguesas para prestar o apoio necessário.
O EES, que entrou em funcionamento em outubro de 2025 para substituir o carimbo manual por registos digitais, tem sido apontado como um fator de pressão nas fronteiras. Contudo, Bruxelas recorda que cabe a cada Estado-membro a responsabilidade pela gestão eficiente no terreno. "A fluidez nas fronteiras deve ser assegurada pelos Estados-membros através da disponibilização de um número adequado de guardas fronteiriços, de soluções automatizadas, como quiosques de autosserviço e portas eletrónicas (e-gates)", reforça a Comissão.
A questão ganha contornos de urgência perante o cenário verificado nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, onde se acumulam esperas de várias horas. Recorde-se que, em dezembro de 2025, uma inspeção surpresa da Comissão Europeia ao Aeroporto Humberto Delgado detetou "graves deficiências" no controlo de fronteiras, apontando 14 falhas críticas, nomeadamente ao nível de recursos humanos, falta de equipamentos e simplificação indevida de procedimentos de segurança.
Em resposta à pressão crescente, foi anunciado na passada segunda-feira que a PSP irá reforçar a vigilância nos aeroportos portugueses com 360 agentes adicionais a partir de julho, numa tentativa de mitigar os tempos de espera para passageiros oriundos de fora do espaço Schengen.
Desde o lançamento do sistema, foram processadas quase 66 milhões de entradas e saídas em todo o espaço europeu, tendo sido identificadas mais de 800 pessoas como ameaças à segurança da União. Bruxelas reitera que, em situações de picos de tráfego ou falhas pontuais, existem procedimentos de contingência — como registos manuais — previstos na legislação europeia para garantir que a segurança e o fluxo de passageiros não ficam comprometidos.