BRUXELAS (Lusa) – A União Europeia (UE) manifestou hoje profunda indignação face às condições em que se encontram os ativistas detidos por Israel após a interceção da flotilha humanitária destinada a Gaza. Em comunicado oficial, o Serviço Europeu para a Ação Externa classificou o tratamento infligido aos detidos como "completamente inaceitável", instando o Governo israelita a assegurar um tratamento digno e em conformidade estrita com o direito internacional.
A tomada de posição de Bruxelas surge na sequência da divulgação de um vídeo, partilhado nas redes sociais pelo ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, no qual o governante surge a troçar dos ativistas — entre os quais se encontram vários cidadãos europeus e dois médicos portugueses — que se encontravam algemados e amontoados num porto de Ashdod.
Além da condenação formal da UE, o incidente desencadeou uma onda de protestos diplomáticos. Portugal, a par de outros países europeus, convocou o embaixador de Israel para exigir esclarecimentos sobre a conduta das forças de segurança de Telavive. A própria estrutura interna do Governo israelita denotou desconforto: o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, demarcou-se da postura de Ben Gvir, afirmando que o comportamento exibido "não está de acordo com os valores e normas de Israel", uma posição corroborada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros.
A tensão escalou entre segunda e terça-feira, quando as Forças Armadas de Israel intercetaram a "Flotilha Global Sumud" em águas internacionais. A expedição, composta por cerca de 50 embarcações e mais de 400 ativistas, tentava romper o bloqueio marítimo para entregar ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Perante este cenário, a diplomacia europeia sublinhou a urgência de garantir a proteção humanitária dos detidos e renovou o apelo para a sua libertação imediata, sublinhando que a detenção deve respeitar os direitos fundamentais e as convenções internacionais em vigor.