JERUSALÉM (Lusa)– O embaixador norte-americano em Israel, Mike Huckabee, condenou publicamente as "ações desprezíveis" protagonizadas pelo ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Gvir. A crítica surge após o governante ter divulgado um vídeo onde aparece a humilhar ativistas internacionais que integravam a recente flotilha intercetada pela Marinha israelita.
Apesar de ser considerado um aliado próximo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Huckabee juntou a sua voz à "indignação e condenação universal" face ao episódio. Nas redes sociais, o diplomata afirmou que, embora a flotilha pudesse ser encarada como uma "manobra publicitária estúpida", a atitude de Ben Gvir representou uma traição à "dignidade da sua nação".
No vídeo em causa, Itamar Ben Gvir surge a caminhar entre ativistas algemados e ajoelhados no porto de Ashdod, acompanhado por polícias armados, enquanto o hino nacional israelita é reproduzido. Durante a gravação, o ministro dirige-se aos detidos dizendo: "É assim que recebemos aqueles que apoiam o terrorismo. Bem-vindos a Israel".
O comportamento do ministro provocou uma onda de críticas dentro do próprio executivo de Netanyahu. O primeiro-ministro classificou as imagens como "incompatíveis com os valores de Israel", enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, acusou o seu homólogo da Segurança Nacional de "prejudicar deliberadamente" a reputação do país através de um "espetáculo vergonhoso".
A flotilha 'Global Summut', composta por cerca de meia centena de navios, tinha partido da Turquia na semana anterior com o intuito de entregar ajuda humanitária e desafiar o bloqueio à Faixa de Gaza. A interceção dos barcos ocorreu em águas internacionais, próximo da costa do Chipre, levando à detenção e transferência de cerca de 430 ativistas — entre os quais dois cidadãos portugueses — para território israelita. A organização Adalah, dedicada aos direitos humanos, denunciou a remoção forçada dos participantes civis daquela missão.