Lisboa (Lusa) — Os profissionais do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) alertaram esta segunda-feira para uma perda significativa de capacidade de socorro à população, integrada na nova reforma do setor. Segundo um comunicado conjunto da Comissão de Trabalhadores do INEM e do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), divulgado pela imprensa nacional, as recentes medidas anunciadas pelo Governo representam uma redução efetiva de mais de meia centena de meios de emergência nas ruas, contrariando a tese de modernização do sistema.
O STEPH contesta especificamente a criação de uma reserva de 40 ambulâncias destinadas a doentes críticos e picos de procura. O sindicato esclarece que esta medida implica, na verdade, a eliminação de 56 ambulâncias de emergência médica pré-hospitalar, convertendo-as em apenas 39 veículos afetos às Unidades Locais de Saúde para transporte inter-hospitalar. Os técnicos consideram as informações públicas "enganadoras" e acusam o plano de retirar recursos diretos ao socorro imediato dos cidadãos.
A Comissão de Trabalhadores do INEM eleva o tom das críticas, denunciando um processo de "privatização material" do instituto. De acordo com os representantes, embora o Estado não esteja a avançar para uma privatização jurídica formal, está a promover o desmantelamento do INEM através da perda progressiva de competências e da fragilização dos profissionais, abrindo deliberadamente espaço para que empresas privadas passem a assegurar os serviços públicos de saúde que ficam a descoberto.
Outro ponto de forte contestação prende-se com a anunciada frota de 90 veículos ligeiros de assistência. O sindicato detalha que este número resulta apenas da manutenção das 44 Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) e da reconversão das 46 ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) em carros ligeiros de passageiros. Esta alteração dita o fim da capacidade de transporte de doentes nestas últimas unidades, uma perda que os profissionais classificam como "particularmente grave" para o interior do país. Os técnicos criticam ainda como "irrealista" a meta política de garantir tempos de resposta inferiores a oito minutos, sublinhando que tal objetivo falha sistematicamente e "não se determina por decreto".
Os alertas dos trabalhadores surgem em alinhamento com as preocupações manifestadas na última semana por quatro ex-presidentes do INEM e pelo ex-presidente do Colégio da Competência de Emergência Médica. Numa carta aberta, os antigos dirigentes já haviam advertido para os riscos técnicos e operacionais destas reformas, alertando para uma perigosa fragmentação do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM).