Lisboa, 19 mai 2026 (Lusa) — O Presidente da República, António José Seguro, elogiou esta terça-feira na Assembleia da República as "vozes que se agigantam e estremecem a indiferença" global, contrastando-as com a atuação de líderes políticos e países focados na propagação da tragédia e no desrespeito pelos direitos humanos. O discurso do chefe de Estado ocorreu durante a cerimónia de entrega do Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa 2025, que distinguiu o islandês Bragi Guðbrandsson, especialista na proteção de crianças, e o jornalista palestiniano Rami Abou Jamous.
Ao focar a sua intervenção na situação do Médio Oriente e no trabalho do repórter de guerra premiado, António José Seguro citou dados do Comité para a Proteção dos Jornalistas para alertar que as Forças de Defesa de Israel foram a entidade governamental que mais profissionais de comunicação matou desde 1992. O Presidente da República sublinhou que quase metade dos 129 jornalistas mortos no mundo no ano passado perdeu a vida em Gaza e que o desespero e a fuga às bombas marcam o quotidiano destes profissionais que tentam relatar uma realidade distorcida pelas armas e pela propaganda.
A distinção entregue no parlamento também homenageou Bragi Guðbrandsson pelas suas contribuições para o desenvolvimento de mecanismos judiciais de proteção infantil contra a violência e os abusos sexuais. No encerramento da sua alocução, o chefe de Estado português enalteceu o papel do Conselho da Europa e do Centro Norte-Sul no combate à "deriva autocrática" que ameaça os regimes contemporâneos, reafirmando que premiar estas personalidades é cumprir o dever de valorizar quem cuida dos mais frágeis e se insurge contra a barbárie.