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Crescem denúncias à Ordem dos Nutricionistas por usurpação de funções nas redes sociais
Publicado em 16/05/2026 11:15
Nacional
@Lusa

Lisboa, 16 de maio de 2026 (Lusa) — O exercício ilegal da profissão de nutricionista no ambiente digital está a registar uma tendência de forte subida. Entre novembro de 2024 e novembro de 2025, a Ordem dos Nutricionistas (ON) viu duplicar o número de queixas, contabilizando 86 denúncias de alegada usurpação de funções. A esmagadora maioria destes casos baseia-se em conteúdos partilhados em páginas de internet e perfis de redes sociais.

De acordo com o Relatório das Denúncias de Exercício Ilegal da Profissão, a maior parte das infrações envolve indivíduos que, apesar de não se intitularem explicitamente nutricionistas, comercializam consultas de nutrição, planos alimentares ou acompanhamento clínico. O documento detalha que, do total de queixas, 25 dizem respeito a consultas ilegais, 23 a falsos profissionais sem inscrição na Ordem e 18 a personal trainers ou coaches que extravasam as suas competências.

A moldura penal para o crime de usurpação de funções pode fixar-se em penas de prisão até dois anos ou multas até 240 dias. No entanto, o combate judicial enfrenta barreiras complexas. A dificuldade em identificar os reais proprietários das contas digitais e em reunir provas sólidas levou ao arquivamento de 33 processos. Ainda assim, a Ordem já encaminhou 24 casos para o Ministério Público, mantendo outros 29 sob estrita avaliação jurídica.

Um problema grave de saúde pública Em entrevista à Agência Lusa, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Liliana Sousa, alertou para o facto de a desinformação digital ter deixado de ser apenas uma questão corporativa para passar a ser "um problema grave de saúde pública". A responsável sublinha que o medidor de credibilidade do público foi distorcido pelo volume de seguidores de determinados influenciadores digitais, cujos conselhos infundados acabam por sobrepor-se às recomendações médicas.

O perigo estende-se desde jovens saudáveis até doentes crónicos, com quadros de cancro ou diabetes, que abandonam terapias ou cortam alimentos vitais devido a modas digitais. Associado a isto, Liliana Sousa aponta o consumo desregulado de suplementos alimentares e proteínas em pó, muito promovidos em contextos de ginásio. A bastonária avisa que a toma arbitrária destes produtos altamente concentrados, muitas vezes adquiridos em mercados paralelos sem regulação na internet, pode desencadear falhas renais, complicações cardíacas e, em situações extremas, perigo de vida iminente.

Como resposta a este cenário de difícil controlo nos tribunais, a estratégia da Ordem dos Nutricionistas para 2026 vai focar-se no reforço de campanhas pedagógicas. O objetivo passa por capacitar os cidadãos a validarem sempre a cédula profissional dos especialistas e exigir que os nutricionistas devidamente encartados se identifiquem de forma clara nas suas plataformas digitais, esvaziando assim o mercado da contrafação vacinal e alimentar.

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