15 de maio de 2026 (Lusa) — A Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) revelou hoje que o fluxo de entradas irregulares nas fronteiras externas da União Europeia registou uma quebra de 40% no primeiro quadrimestre de 2026, em comparação com o período homólogo. Entre janeiro e abril, foram contabilizadas aproximadamente 28.500 travessias, consolidando uma tendência de queda sustentada no território comunitário.
Segundo a Frontex, esta diminuição resulta de uma combinação de fatores estratégicos, incluindo o reforço da cooperação com países parceiros, medidas preventivas nos pontos de partida e condições meteorológicas adversas no início do ano.
Análise das rotas e impacto geográfico Apesar da descida global, o comportamento das rotas migratórias foi heterogéneo:
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África Ocidental: Registou a maior descida (-78%), fruto do controlo reforçado por países como a Mauritânia, o Senegal e a Gâmbia.
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Mediterrâneo Central e Oriental: Mantêm-se como as vias mais ativas, representando, em conjunto, dois terços das entradas, embora com quedas de 46% e 32%, respetivamente.
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Mediterrâneo Ocidental: Foi a única rota a contrariar a tendência, com um aumento de 50% nas chegadas, impulsionado sobretudo por partidas da Argélia.
O custo humano e as reformas políticas A queda nos números não apaga o drama humanitário. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que mais de 1.200 pessoas tenham perdido a vida no Mediterrâneo desde o início do ano.
O comissário europeu para os Assuntos Internos, Magnus Brunner, atribuiu estes resultados ao sucesso das reformas introduzidas nos últimos anos e à proteção mais robusta das fronteiras externas. Este cenário antecipa a entrada em vigor plena, em meados de 2026, do novo Pacto Migratório da UE, que visa agilizar processos e reforçar a solidariedade entre os Estados-membros na gestão do asilo e da migração.