Lisboa, 13 mai 2026 (Lusa) – Associações de criadores de gado alertaram hoje, na Assembleia da República, para o impacto devastador que o aumento dos ataques de lobo ibérico está a ter na pecuária tradicional do Norte do país. Em audição na Comissão de Agricultura e Pescas, os produtores sublinharam que a preservação desta espécie protegida não pode significar o sacrifício das raças autóctones e do património genético nacional.
Rafael Azevedo, da União de Produtores de Gado Lesados pelos Lobos (UPGALL), denunciou que os ataques estão a "empurrar os produtores para o abandono da atividade". Segundo os representantes do setor, o problema é agravado por uma "teia burocrática" que dificulta o acesso às indemnizações estatais, resultando frequentemente em pagamentos parciais que não cobrem o total de animais mortos em cada investida.
A preocupação foi partilhada pelos vários grupos parlamentares. Do lado do PSD e do PS, houve o compromisso de agilizar processos e defender o mundo rural, reforçando que a proteção do lobo não deve ser feita "pelo esmagamento dos produtores". O Chega e o PCP focaram-se na falha dos mecanismos do Estado, enquanto o Livre destacou a necessidade de simplificar a burocracia para aliar a conservação da natureza à viabilidade económica das explorações.
O Grupo Lobo, associação dedicada à conservação do ecossistema, afirmou estar ao lado da resolução dos problemas, defendendo a aposta na prevenção e no apoio direto aos criadores.
Atualmente, o Programa Alcateia 2025-2035 dispõe de um orçamento de 3,3 milhões de euros para 2026, destinado à proteção da espécie e ao pagamento de indemnizações. Estima-se que existam em Portugal cerca de 300 lobos distribuídos por 58 alcateias, concentrados sobretudo nas regiões da Peneda/Gerês, Alvão/Padrela, Bragança e Sul do Douro.