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Muralha do Castelo de Alcácer regenerada com técnica ancestral de taipa
Publicado em 13/05/2026 08:44
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@Lusa

(Lusa) - A muralha sul do Castelo de Alcácer do Sal está a ser alvo de uma intervenção profunda que alia a engenharia moderna ao saber milenar. A estrutura está a ser regenerada através do uso da taipa, uma técnica que utiliza terra e cal compactadas, respeitando a traça original deste monumento nacional com séculos de história.

A empreitada, que representa um investimento de 1,2 milhões de euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), teve início em setembro de 2025. De acordo com os dados fornecidos pelo instituto Património Cultural (IP), os trabalhos de consolidação de quatro troços da muralha deverão estar concluídos em julho deste ano.

A particularidade desta obra reside no regresso às origens. "A taipa fazia-se com a terra que estava no local", explicou o arquiteto especialista Miguel Rocha, sublinhando que esta técnica, embora pouco conhecida hoje em dia, é a que melhor respeita a natureza original da estrutura, que ao longo dos séculos foi recebendo acrescentos em pedra na tentativa (nem sempre eficaz) de lhe dar mais durabilidade.

Para além da vertente construtiva, a intervenção tem revelado importantes achados arqueológicos. Durante os trabalhos de limpeza e consolidação, foi descoberto um elemento escultórico em mármore de uma toga romana, que terá sido reaproveitado como material de enchimento na construção da torre. Segundo André Nascimento, da empresa Empatia Arqueologia, a peça será removida para salvaguarda após a estabilização das paredes.

A execução técnica revela-se um desafio logístico, dada a escassez de especialistas no mercado. Para garantir a qualidade do restauro, as equipas de trabalho recebem formação específica no local, aprendendo a compactar a mistura de terra e cal em camadas dentro de taipais de madeira até que a estrutura ganhe a resistência necessária.

Quando a obra estiver terminada, o objetivo é que a dedicação técnica passe despercebida ao olhar do visitante. Para os responsáveis, o sucesso desta regeneração patrimonial reside precisamente na integração invisível das novas intervenções com o legado histórico de Alcácer do Sal.

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