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Falta de 14 mil enfermeiros coloca SNS em "cenário de colapso", alerta Ordem
Com a saída de quase metade dos novos licenciados para o estrangeiro, a Ordem dos Enfermeiros avisa que o sistema público atingiu um ponto de rutura que compromete a segurança dos utentes.
Publicado em 12/05/2026 07:30 • Atualizado 12/05/2026 07:30
Nacional
@Lusa

LISBOA (Lusa) – O Serviço Nacional de Saúde (SNS) enfrenta uma carência estrutural de 14 mil enfermeiros, um défice que coloca as unidades de saúde públicas num "cenário de colapso". O alerta foi emitido esta terça-feira pela Ordem dos Enfermeiros (OE), a propósito do Dia Internacional do Enfermeiro, sublinhando a urgência de medidas para travar a degradação do sistema.

De acordo com a instituição liderada por Luís Filipe Barreira, a sustentabilidade do SNS está em risco direto devido à incapacidade do Estado em reter profissionais. O bastonário descreve uma classe "exausta e desmotivada", fustigada por condições de trabalho precárias e pela falta de reconhecimento profissional.

Um dos pontos mais críticos do alerta reside na emigração. Cerca de 40% dos enfermeiros recém-licenciados em Portugal abandonam o país todos os anos em busca de melhores condições laborais. Países como a Suíça, Bélgica ou Espanha oferecem salários que chegam a ser três a quatro vezes superiores aos praticados em solo nacional, tornando a retenção de talento uma tarefa quase impossível.

Para tentar mitigar a pressão sobre o sistema, a Ordem recorda que tem apresentado sucessivas propostas que continuam sem resposta efetiva pela tutela. Entre elas, destaca-se a criação do "enfermeiro de família" para os 1,5 milhões de utentes sem médico atribuído e o alargamento de competências para a prescrição de materiais de apoio e medicação protocolada.

O bastonário criticou ainda a Direção Executiva do SNS por manter "parados" projetos essenciais, como o acompanhamento de gravidezes de baixo risco por enfermeiros especialistas. Segundo a OE, existe uma resistência em permitir que estes profissionais utilizem plenamente as suas competências na requisição de exames e meios de diagnóstico.

A nível global, o cenário coincide com um relatório do Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN), que aponta para uma falta mundial de 5,8 milhões de profissionais. O documento reforça que o investimento na enfermagem é o fator mais crítico para a saúde pública, estimando-se que o reforço desta força de trabalho possa gerar um impacto económico positivo de 930 milhões de euros até 2030.

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