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Bloqueio do transporte de fertilizantes arrisca desencadear uma crise humanitária – ONU
Publicado em 11/05/2026 18:52
Economia
@Lusa

(Lusa) - O chefe do grupo de trabalho da ONU para o tráfego de matérias-primas no Estreito de Ormuz lançou hoje um alerta dramático: a comunidade internacional tem apenas "algumas semanas" para evitar uma catástrofe alimentar global. Segundo o português Jorge Moreira da Silva, o atual bloqueio à exportação de fertilizantes poderá mergulhar mais 45 milhões de pessoas na fome num futuro próximo.

Em entrevista à agência AFP, o diretor-executivo do UNOPS sublinhou que o tempo é o fator crítico, uma vez que a época de sementeira em vários países africanos termina dentro de pouco tempo. O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão — uma retaliação ao conflito com os EUA e Israel — interrompeu o fluxo de matérias-primas essenciais como amoníaco e ureia, afetando o abastecimento de mercados vitais como o Brasil, a China, a Índia e o continente africano.

Para Moreira da Silva, a solução passa pela implementação de um mecanismo que permita a passagem de pelo menos cinco navios carregados de fertilizantes por dia. "Se não atacarmos rapidamente a origem da crise, teremos de gerir as consequências com ajuda humanitária", advertiu o responsável, frisando que, embora os preços dos alimentos ainda não tenham disparado, o custo dos fertilizantes já sofreu um aumento acentuado, o que ditará uma quebra inevitável na produtividade agrícola.

Apesar do esforço diplomático junto de mais de 100 países, o impasse entre as partes envolvidas — Estados Unidos, Irão e países do Golfo — mantém-se. Caso seja alcançado um acordo, a ONU garante que o mecanismo de transporte poderá estar operacional em apenas sete dias, embora a normalização total do tráfego marítimo na região possa demorar entre três a quatro meses.

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