(Lusa) - A mítica figura do amolador do Mercado do Bolhão, no Porto, acaba de subir um degrau na história da cultura portuguesa. A candidatura desta atividade foi oficialmente aceite na Rede Nacional do Património Cultural Imaterial, um reconhecimento que protege e valoriza um dos saberes tradicionais mais antigos e resistentes da cidade.
O processo de candidatura, agora validado pela Direção-Geral do Património Cultural, destaca que o amolador não presta apenas um serviço técnico. Com a sua siringe — a característica flauta de pã — e a roda de amolar, estes profissionais são guardiões de uma memória coletiva e de uma sonoridade que define a identidade do Porto e do seu mercado mais emblemático.
A integração nesta rede nacional é um passo crucial para a salvaguarda desta arte. Na prática, este estatuto permite que o ofício seja documentado e protegido, evitando que desapareça com o tempo e garantindo que o legado seja transmitido às gerações futuras sob a chancela do Estado português. Para a comunidade do Bolhão, este reconhecimento é uma vitória da tradição: a partir de agora, o som da flauta do amolador não é apenas um aviso de serviço, é, oficialmente, um tesouro nacional que importa preservar.