( Lusa) - A existência de equipamentos culturais num determinado território não é garantia de acesso da sua população à Cultura em Portugal, revela um estudo hoje divulgado. Segundo Pedro Borrego, um dos coordenadores da investigação “Linhas Invisíveis”, a grande mensagem a reter é que a democratização cultural depende de fatores que vão muito além da simples presença de edifícios ou da oferta disponível.
O estudo focou-se em quatro zonas distintas — Terras de Trás-os-Montes, Alentejo Central, Algarve e Grande Lisboa — cruzando dados qualitativos e análises geoespaciais. Embora o investigador reconheça o esforço público feito desde os anos 80 com a criação de redes nacionais de bibliotecas, museus e teatros, os dados confirmam que persiste uma forte concentração da oferta no litoral e nas áreas metropolitanas, em detrimento do interior.
Além da localização, o acesso é condicionado pelo envelhecimento demográfico, pelo isolamento geográfico e pela falta de técnicos qualificados para dinamizar os espaços. O relatório destaca, contudo, o papel fundamental dos museus na inclusão social e na economia local, funcionando como pontes entre as comunidades, as escolas e as instituições de apoio social.
Para reduzir estas desigualdades, os responsáveis pelo estudo recomendam a integração da cultura em políticas públicas transversais e o reforço da autonomia de gestão dos equipamentos. Sugerem ainda o investimento em estratégias de mediação e atividades descentralizadas, defendendo que a cultura deve, muitas vezes, ir ao encontro das pessoas em vez de esperar que o público se desloque às infraestruturas.