Lisboa, 07 mai 2026 — Os profissionais da RTP enviaram uma carta aberta à administração da estação pública e ao Governo português, exigindo que o canal não participe nem transmita o Festival Eurovisão da Canção 2026. Segundo o documento a que a agência Lusa teve acesso, o grupo manifesta o seu repúdio pela presença de Israel no certame face ao agravamento da crise humanitária no Médio Oriente.
Na missiva, dirigida ao presidente da RTP, Nicolau Santos, e aos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Cultura, os trabalhadores defendem que a estação pública não deve "compactuar com práticas de normalização cultural" que contrariem o direito internacional. "A cultura não serve para branquear crimes, nem para desviar atenções de ações condenadas pela comunidade internacional", sublinham os signatários no texto divulgado pela Lusa.
Os trabalhadores recordam que, em 2022, a RTP e a União Europeia de Radiodifusão (UER) decidiram excluir a Rússia após a invasão da Ucrânia. Para os funcionários, a "violência extrema contra civis" e as "deslocações forçadas" justificam agora uma medida semelhante. O documento esclarece ainda que este boicote não é um ato de censura, mas um "ato de responsabilidade moral".
A 70.ª edição do Festival da Eurovisão, que se realiza este mês na Áustria, já conta com as desistências de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia por motivos idênticos. Portugal deverá ser representado pelo grupo Bandidos do Cante, com o tema "Rosa", mas o clima de contestação interna na RTP coloca em causa a transmissão do evento em solo nacional.