O Ministério Público deduziu acusação contra quatro militares da GNR de Palmela, suspeitos da prática de três crimes de sequestro agravado, um crime de abuso de poder e outro de injúria agravada, anunciou hoje a Procuradoria-Geral Regional (PGR) de Évora.
Os arguidos, três homens e uma mulher, são acusados de sequestrar e agredir três menores na madrugada de 11 de abril de 2024, que terão saído sem autorização do Centro Jovem Tejo, uma instituição que acompanhava pessoas com comportamentos aditivos e dependências (CAD). Atualmente, a instituição acompanha apenas adultos na Quinta do Ano, distrito de Setúbal.
Segundo a PGR, um dos militares é ainda acusado de coação, enquanto a única arguida mulher responde também por falsificação de documento e denúncia caluniosa.
Quando os militares foram apresentados em primeiro interrogatório judicial, o Ministério Público solicitou a suspensão das funções, mas o pedido não foi aceite pelo juiz de instrução criminal nem pelo Tribunal da Relação de Évora. Com a dedução da acusação, o MP voltou a pedir a suspensão, justificando que existe “forte perigo de continuação da atividade criminosa” e considerando o “intenso alarme social e sentimento de insegurança” gerado na comunidade.
Em comunicado, a PGR esclareceu que os militares atuaram no exercício das suas funções, mas a possibilidade de condenação reforça a necessidade de suspensão preventiva enquanto decorrem os processos judiciais.
Fontes do Comando Territorial de Setúbal da GNR confirmaram que, após os factos, os militares foram redistribuídos por vários postos, mas remeteram qualquer esclarecimento adicional ao Ministério Público. O Centro Jovem Tejo também declinou comentar o caso.
O processo segue agora para os tribunais competentes, com os acusados a responderem pelos crimes apontados e aguardando definição sobre eventual suspensão de funções enquanto decorre o julgamento.
Fonte:Lusa / Foto:Arménio Belo