Os municípios que integram a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria estão a preparar um regulamento para garantir a isenção temporária das portagens em troços da A8 e da A19, como resposta aos constrangimentos causados pela tempestade Kristin e aos danos ainda existentes nas vias alternativas.
Segundo o presidente da CIM, Jorge Vala, continuam a verificar-se problemas graves nas estradas nacionais, nomeadamente devido a taludes instáveis e obras em curso, o que impede que sejam uma verdadeira alternativa às autoestradas. Entre os casos mais críticos estão a Estrada Nacional 242, entre Marinha Grande e Leiria, e o IC2, nos concelhos de Porto de Mós, Batalha e Leiria.
A Infraestruturas de Portugal prevê que a reposição total das condições normais de circulação só aconteça no final de junho, levando os autarcas a procurar soluções que aliviem os custos para cidadãos e empresas. A proposta em desenvolvimento prevê que residentes e empresas possam enviar as faturas das portagens à CIM, que procederá à devolução dos valores pagos.
O regime deverá abranger a A8 entre as zonas industriais da Marinha Grande e dos Pousos, em Leiria, e a A19 entre os nós de Azoia e São Jorge. O impacto financeiro estimado ronda os 700 mil euros na A19 e poderá ultrapassar os 2,5 milhões de euros na A8.
O documento estabelece que a medida terá caráter excecional e temporário, em vigor até 30 de junho de 2026, e que os custos serão partilhados entre os municípios da CIM, o Estado e as concessionárias das autoestradas, no âmbito das compensações ligadas à situação de calamidade.
A CIM já solicitou ao Presidente da República a prorrogação do regime de isenção das portagens nas principais autoestradas da região. A comunidade integra dez municípios: Leiria, Marinha Grande, Batalha, Pombal, Porto de Mós, Alvaiázere, Ansião, Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera.
As depressões Kristin, Leonardo e Marta provocaram 16 mortes em Portugal, além de centenas de feridos e desalojados, deixando um rasto de destruição que inclui danos em habitações, empresas e infraestruturas, cortes de energia e comunicações, e o encerramento de estradas e serviços públicos.
Fonte:JN / Foto:DR