A poucas semanas de terminar o seu segundo mandato, o Presidente da República ruma a Espanha para uma despedida diplomática carregada de simbolismo. A agenda foca-se no reforço dos laços ibéricos e no balanço de uma década de cooperação entre os dois Chefes de Estado.O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, inicia esta semana aquela que será a sua última visita oficial a Madrid enquanto Chefe de Estado português. O momento marca o fecho de um capítulo de intensa atividade diplomática com o país vizinho, que foi um dos pilares da sua política externa ao longo dos últimos dez anos.
A visita, de caráter simultaneamente formal e de despedida, inclui encontros ao mais alto nível com o Rei Felipe VI, com quem Marcelo Rebelo de Sousa cultivou uma relação de proximidade e cumplicidade institucional. Espera-se que os dois Chefes de Estado abordem os desafios comuns da Península Ibérica no contexto europeu, bem como a importância da estabilidade transfronteiriça.
Um ciclo de proximidade ibérica
Desde o início do seu primeiro mandato em 2016, Marcelo elegeu Espanha como um destino prioritário, muitas vezes servindo de ponte entre Lisboa e as instituições europeias. Esta deslocação final é vista por analistas políticos como um gesto de cortesia e de reconhecimento pela relevância estratégica de Espanha para os interesses nacionais.
Além da componente política, a agenda deverá contemplar momentos de contacto com a comunidade portuguesa residente na capital espanhola e encontros com figuras do panorama cultural e empresarial. A visita serve também para consolidar projetos de cooperação em áreas como a energia, a gestão de recursos hídricos e as infraestruturas, temas que dominaram as Cimeiras Ibéricas durante a sua presidência.
Com a saída de Belém no horizonte, este "último abraço" a Madrid simboliza não só o fim de uma era na diplomacia portuguesa, mas também a reafirmação de que a relação com Espanha continua a ser o eixo central da política de vizinhança de Portugal.
Fonte - Agência Lusa / Foto:euronews