A notícia de um implante subcutâneo capaz de monitorizar todos os passos, mensagens e palavras-passe do parceiro tornou-se viral esta semana, gerando uma onda de indignação nas redes sociais. Sob o lema "Dois chips, um namoro, zero segredos", o suposto produto prometia uma relação sem "segredinhos". Contudo, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) revelou esta quinta-feira que tudo não passou de uma encenação integrada na campanha "Muda o chip. Controlo no namoro é violência".
A estratégia, desenvolvida em parceria com a agência BBDO, utilizou o choque para confrontar a sociedade com uma realidade invisível: embora o chip seja fictício, os comportamentos de vigilância que ele propõe são reais e estão cada vez mais normalizados entre os jovens. A partilha forçada de passwords e a monitorização constante da localização através do telemóvel são, segundo a APAV, formas de violência que muitos casais confundem com provas de amor ou cuidado.
O objetivo da campanha foi "materializar" o abuso digital, tornando explícito o que acontece diariamente de forma subtil através dos ecrãs. Ao verem o controlo transformado num dispositivo físico invasivo, milhares de utilizadores reagiram com repulsa — uma reação que a APAV espera que se estenda agora aos comportamentos abusivos no mundo real. A associação sublinha que o controlo não é afeto e recorda que disponibiliza apoio gratuito e confidencial através da sua Linha de Apoio à Vítima (116 006).
