Os preços dos bens de primeira necessidade atingiram o valor mais alto dos últimos quatro anos. Entre 2022 e 2026, a mesma lista de compras encareceu 61 euros, levando consumidores e comerciantes a exigir a redução imediata de impostos.A ida ao supermercado tornou-se um exercício de gestão de crise para os portugueses. Segundo os dados mais recentes da Deco Proteste, o conjunto de 63 produtos que compõem o cabaz alimentar essencial fixou-se nos 249 euros, um recorde absoluto desde que a organização iniciou esta monitorização há quatro anos. Só na última semana, o custo subiu mais sete euros.
O custo da sobrevivência
A realidade nos mercados tradicionais, como o de São Domingos de Benfica, em Lisboa, reflete o pessimismo das estatísticas. Comerciantes com décadas de experiência relatam que nunca viram os preços subir de forma tão agressiva, nem mesmo durante o período crítico da pandemia.
Esta escalada inflacionária forçou mudanças drásticas no consumo:
Contenção: As famílias compram menos quantidade e trocam marcas ou produtos por opções mais económicas.
Procura local: O comércio de proximidade volta a ganhar terreno, com os consumidores a procurarem preços mais competitivos fora das grandes superfícies.
Foco no essencial: Produtos supérfluos foram eliminados da lista de compras para garantir o básico na mesa.
Pressão por medidas fiscais
O descontentamento está a gerar uma vaga de pedidos de intervenção estatal. Com o cabaz a custar mais 30% do que em 2022, o setor exige medidas concretas para mitigar a perda de poder de compra:
Redução de Impostos: O regresso de medidas como o "IVA Zero" em produtos fundamentais.
Valorização Salarial: Comerciantes defendem que o aumento dos preços deve ser acompanhado por uma atualização real dos rendimentos.
Enquanto as medidas não chegam, os portugueses continuam a ver o orçamento doméstico ser "engolido" pela inflação alimentar, com uma diferença acumulada de 61 euros no custo do cabaz em apenas quatro anos.
Fonte - Lusa / Deco proteste / Imagem IA