António Guterres, secretário-geral da ONU, enfrentará em 2026 o seu último ano no cargo com um desafio inesperado: manter a organização financeiramente sustentável após cortes significativos no orçamento em 2025. Apesar de idealmente querer concentrar-se em questões globais como a Inteligência Artificial e a cooperação internacional, Guterres vê-se obrigado a dedicar grande parte do seu tempo a assegurar que a ONU continue a receber financiamento dos Estados-membros.
Especialistas, como Richard Gowan do International Crisis Group, consideram que o legado do secretário-geral poderá ficar ligado à capacidade de evitar a falência da organização. "Se a ONU ficar sem dinheiro, Guterres será lembrado como o líder que deixou a organização falir", afirmou Gowan, sublinhando que o secretário-geral enfrenta uma situação extremamente difícil, agravada pelos cortes orçamentais promovidos anteriormente pelos Estados Unidos.
O orçamento da ONU para 2026 prevê uma redução de 577 milhões de dólares, cerca de 15% face a 2025, e a eliminação de 2.681 postos de trabalho, apesar do aumento contínuo da carga de trabalho da instituição. Atualmente, o défice financeiro da ONU ultrapassa 1,3 mil milhões de euros, em parte devido a atrasos e incumprimentos de pagamentos por vários Estados-membros.
António Guterres lidera a ONU desde janeiro de 2017 e termina o seu segundo mandato no final de 2026. Paralelamente, decorre o processo de seleção do seu sucessor, com crescente pressão para que, pela primeira vez, o cargo seja ocupado por uma mulher. Entre os candidatos informais estão Michelle Bachelet, Rafael Grossi e Rebeca Grynspan, com a América Latina a reivindicar desta vez a posição, seguindo a tradição de rotação geográfica da ONU.
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