As alegações finais do processo que envolve três agentes da PSP arrancaram esta segunda-feira, no Tribunal de São João Novo, no Porto. O Ministério Público (MP) foi implacável, pedindo a condenação de Hugo Silva, Sérgio Pereira e Ricardo Santos por crimes que incluem abuso de poder, agressão e falsificação de documentos.O "Vale Tudo" no Combate ao Tráfico
De acordo com a acusação, entre o final de 2022 e meados de 2023, os arguidos terão montado um esquema em que utilizavam estupefacientes apreendidos para pagar a informadores. O objetivo era garantir flagrantes delitos e inflar os resultados operacionais. Além disso, os agentes são acusados de realizar buscas domiciliárias ilegais, sem qualquer autorização judicial.
Para o magistrado do MP, os agentes — que aguardam o desfecho do processo em prisão preventiva — atuaram com uma lógica de "os fins justificam os meios". O procurador sublinhou ainda o impacto social do caso:
"Este comportamento cria uma mancha reputacional na forma como o Estado se relaciona com os cidadãos e prejudica a imagem de milhares de polícias honrados."
Os Argumentos da Defesa
As equipas de defesa adotaram estratégias distintas perante as acusações:
Ausência de Lucro: A defesa do agente Hugo Silva argumentou que não existem provas de que os arguidos tenham lucrado financeiramente com estas ações. O propósito seria apenas obter "melhores resultados" no combate à Para a defesa de um subcomissário também envolvido no processo, as alegações do MP não trouxeram surpresas, sendo consideradas dentro do previsto.
O julgamento, que analisa factos ocorridos num período de sete meses, fará uma pausa para as festividades, estando o regresso às sessões marcado para o dia 6 de janeiro.
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