Face a um cenário onde mais de 50% dos profissionais admitem estar no limite da exaustão, a Ordem dos Advogados vai disponibilizar apoio psicológico remoto e formação específica a partir do próximo ano.A saúde mental na advocacia passou de um tema tabu a uma prioridade institucional. Após os resultados alarmantes de um inquérito recente — que revelou que a maioria da classe enfrenta um risco elevado de esgotamento — a Ordem dos Advogados (OA) anunciou um plano de intervenção nacional para apoiar os seus membros.
Apoio à distância e resposta imediata
A grande novidade reside na criação de uma plataforma de consultas de psicologia via videochamada, totalmente gratuitas e acessíveis a todos os advogados inscritos, independentemente da sua localização geográfica. Para situações de crise aguda, será implementado um "botão de pânico", desenhado para oferecer auxílio psicológico imediato a quem se encontre em rutura.
“É imperativo dotar os advogados de ferramentas para gerirem a pressão constante. Ninguém consegue suportar este nível de exigência sem suporte adequado”, sublinha João Massano, Presidente do Conselho Regional de Lisboa da OA*.
O peso emocional da profissão
O desgaste não é apenas fruto do volume de trabalho, mas da carga emocional inerente aos processos. Segundo os responsáveis pela iniciativa, a dificuldade em "desligar" dos problemas dos clientes — como acontece em casos sensíveis de direito de família — é um dos principais gatilhos para o stress crónico.
Para combater este ciclo, a estratégia da Ordem inclui ainda:
Formação especializada: Workshops sobre inteligência emocional e controlo de ansiedade.
Prevenção: Programas focados na identificação precoce de sinais de burnout.
Literacia: Iniciativas para desmistificar o recurso a apoio psicológico dentro da classe.
Com este passo, a instituição pretende não só tratar os casos existentes, mas mudar a cultura profissional, promovendo um ambiente onde o bem-estar mental seja visto como um pilar essencial para o exercício da justiça.