O país tornou-se a principal base europeia para o Primeiro Comando da Capital. Mais do que o tráfico de droga, a organização infiltra-se na economia legítima através de empresas e investimentos imobiliários.Portugal lidera atualmente a lista de países europeus com a maior concentração de operacionais do PCC (Primeiro Comando da Capital). O grupo, que nasceu no sistema prisional de São Paulo após o massacre do Carandiru em 1992, evoluiu de uma revolta de detidos para uma sofisticada organização criminosa transatlântica.
Lavagem de dinheiro e infiltração económica
Ao contrário da imagem tradicional de gangs de rua, a atuação do PCC em solo português foca-se no "crime de colarinho branco". Estima-se que pelo menos 90 membros da organização residam no país, incluindo figuras de alta patente. Estes líderes utilizam a infraestrutura nacional para:
Branqueamento de capitais: Uso de empresas de fachada para lavar lucros do narcotráfico.
Investimentos Diversificados: Aquisição de imóveis de luxo e participações em sociedades desportivas (futebol).
Corrupção: Tentativas de infiltração em instituições através de fraudes económicas.
Recrutamento e Disciplina de Ferro
A estratégia de expansão em Portugal difere da brasileira. Enquanto no Brasil o recrutamento é massivo dentro das prisões, para a Europa o grupo prefere enviar membros já batizados e de total confiança.
O ingresso na "irmandade" exige um juramento de fidelidade absoluta a um código de conduta rigoroso, que dita desde o comportamento social até questões de orientação sexual. Dentro da organização, a quebra destas normas internas não é tolerada, sendo frequentemente punida com a execução do infrator.
Vigilância das Autoridades
Embora a Polícia Federal brasileira tenha solicitado o reforço da cooperação internacional, a presença do grupo em Portugal tem gerado desafios jurídicos. Recentemente, a libertação de suspeitos por excesso de prisão preventiva em Portimão e a detenção de grandes fornecedores com ligações à rede sublinham a complexidade de desmantelar esta estrutura que, 30 anos após a sua fundação, vê em Portugal a sua porta de entrada privilegiada para o mercado europeu.