Lisboa, 20 set 2026 (Lusa) — O tempo de espera nos serviços de urgência dos hospitais públicos voltou a registar um agravamento acentuado este domingo, atingindo patamares críticos na Área Metropolitana de Lisboa, onde a espera para casos urgentes ultrapassou as oito horas e meia.
Conforme indicavam os dados oficiais do portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS) pelas 09:45, a situação mais gravosa registava-se na urgência geral do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra). Naquela unidade, 44 doentes com pulseira amarela — sinalizadores de situações urgentes que deveriam ter atendimento médico num prazo máximo recomendável de 60 minutos — enfrentavam uma espera estimada de oito horas e 42 minutos. No total, contabilizavam-se 65 utentes na sala de espera após triagem.
O estrangulamento crónico nesta unidade de saúde deve-se à combinação da escassez de profissionais de saúde com a elevada densidade populacional da zona de influência do hospital, onde cerca de 240 mil residentes continuam sem médico de família atribuído. A própria direção-executiva do SNS, liderada por Álvaro Almeida, admitiu recentemente que as fragilidades estruturais do Amadora-Sintra não terão resolução imediata.
A pressão fez-se sentir igualmente no sul do país. No Hospital de Portimão, integrado na ULS do Algarve, 17 doentes com pulseira amarela aguardavam quase cinco horas para a primeira consulta ao início da manhã. Na maioria dos restantes estabelecimentos hospitalares do país, a demora para doentes urgentes mantinha-se dentro do intervalo habitual entre os 30 minutos e uma hora.